PREGUIÇA OU OPORTUNIDADE?

Datafolha: 40% dos brasileiros associam pobreza à preguiça, aponta pesquisa

Gráfico da pesquisa Datafolha mostrando a percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza, com destaque para a associação com preguiça.
Pesquisa Datafolha aponta que 40% dos brasileiros associam a pobreza à preguiça. Foto: MARCELLO CASAL/AGÊNCIA BRASIL

Pesquisa aponta aumento expressivo na percepção de que a pobreza é resultado da falta de vontade de trabalhar. Análise revela divisões por renda, ocupação e idade.

Uma pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (3), revela que 40% dos brasileiros associam a pobreza à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar”. Este percentual representa uma quase duplicação em relação a 2022, quando a taxa era de 22%.

A constatação, parte de um eixo sobre valores sociais e políticos, indica um avanço significativo da tese que culpa o indivíduo pela condição de pobreza. Embora a visão de que a pobreza resulta da falta de oportunidades iguais para ascensão social continue majoritária, ela registrou queda, passando de 76% em 2022 para 58% em 2026.

O levantamento, realizado entre 17 e 18 de junho com 2.004 eleitores em 139 municípios, possui nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026. O percentual atual de associação entre pobreza e preguiça supera recordes anteriores, como os de 32% em 2013 e 37% em 2014.

A percepção sobre as causas da pobreza varia consideravelmente entre diferentes grupos socioeconômicos e políticos. Entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos espelham a média nacional, com 40% apontando preguiça e 58% falta de oportunidades.

Em contrapartida, a faixa de maior renda (acima de 10 salários mínimos) apresenta a menor associação com a ideia de preguiça, com 63% creditando a pobreza à falta de oportunidades.

Profissionalmente, empresários lideram a percepção de que a pobreza está ligada à preguiça, com 56% desse grupo expressando essa opinião. Em contraste, funcionários públicos registram o menor índice, com 28%.

A divisão geracional também é notável: jovens de 16 a 24 anos associam majoritariamente a pobreza a questões estruturais (74% por falta de oportunidades), enquanto idosos a partir de 60 anos apresentam um empate técnico, com 49% apontando preguiça e 48% falta de oportunidades.

Na esfera política, eleitores do presidente Lula (PT) atribuem a pobreza majoritariamente à falta de oportunidades (70%), com 28% mencionando preguiça. Já eleitores do deputado Flávio Bolsonaro (PL) dividem-se, com 52% associando à preguiça e 44% à falta de oportunidades.

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