SOBERANIA BRASILEIRA AMEAÇADA

Dario Durigan critica sanções dos EUA e alerta para risco ao Pix

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Record TV. (Foto: Divulgação/Ministério da Fazenda)

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, defende que combate ao crime organizado seja conduzido por instituições nacionais e expressa receio com interferências externas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou nesta quinta-feira, 02/07/2026, em entrevista à Record TV, a preocupação do governo brasileiro com as sanções impostas pelos Estados Unidos a cidadãos e empresas no Brasil sob suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). Durigan defendeu que a responsabilidade pelo combate ao crime organizado recai sobre as instituições brasileiras, alertando para os potenciais impactos negativos de ações externas sobre companhias e indivíduos do país.

A declaração surge após o governo norte-americano anunciar medidas punitivas contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, acusadas de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado às facções criminosas. Segundo autoridades dos EUA, o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos provenientes de atividades ilícitas, como o tráfico internacional de drogas.

Durigan ressaltou que a cooperação internacional deve se basear no intercâmbio de informações. "O que os Estados Unidos podem fazer para nos ajudar? Eles podem nos mandar informação, como a gente manda para eles. Quem tem que cuidar da segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf, é a Receita Federal", afirmou o ministro.

A principal apreensão do governo, segundo Durigan, reside na possibilidade de interferência externa em decisões que afetem diretamente instituições e empresas brasileiras, configurando uma ameaça à soberania nacional. "Esse é o nosso receio", declarou.

O ministro reforçou o compromisso do governo brasileiro com o combate ao crime organizado, mas questionou a precisão e a justiça de medidas tomadas por autoridades estrangeiras, que poderiam, inadvertidamente, atingir empresas atuantes legalmente. "E se eles, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema. O cidadão não sabe como recorrer dessa decisão", pontuou.

Durigan também expressou que medidas adotadas fora do Brasil podem ter consequências econômicas sobre o sistema financeiro e meios de pagamento essenciais para a população, como o Pix. "Pode atingir o Pix", alertou o ministro ao comentar os riscos de restrições a bancos ou instituições financeiras brasileiras sob sanções internacionais.

A meta do governo, enfatizou Durigan, é assegurar que ações externas não interfiram em instrumentos de uso cotidiano da população e não prejudiquem empresas que operam legalmente no país. "Nós temos que cuidar do combate ao crime organizado, mas protegendo o cidadão de bem do Brasil, que não pode sofrer uma interferência externa indevida", concluiu.

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