GUERRA POLÍTICA MINEIRA

Cúpulas do PL e PT se reúnem em busca de nomes para Minas

Senadores Cleitinho Azevedo e Rodrigo Pacheco em Brasília
Senadores Cleitinho Azevedo, líder nas pesquisas em MG, e Rodrigo Pacheco, apoiado pelo presidente Lula para disputar o governo de Minas. — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado; Carlos Moura/Agência Senado

A cinco meses das eleições, partidos enfrentam desafios para consolidar chapas em estado-chave. Reunião decisiva do PL acontece nesta terça-feira, 12 de maio de 2026.

A corrida eleitoral em Minas Gerais, um palco decisivo para a disputa presidencial, permanece em aberto a cinco meses do pleito. Partidos como o PL e o PT enfrentam complexas articulações para definir seus candidatos ao governo do estado, refletindo a importância estratégica do segundo maior colégio eleitoral do país. Negociações intensas estão em curso, com foco na reunião-chave do PL prevista para esta terça-feira, 12 de maio de 2026, em Brasília, onde o futuro político do estado pode começar a tomar forma, impactando diretamente a representação e os projetos para os mineiros.

De um lado, o PL ainda não consolidou quem representará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. A legenda busca um nome forte que possa impulsionar a campanha presidencial na região. Paralelamente, aliados do presidente Lula, do PT, tentam convencer o senador Rodrigo Pacheco, atualmente no PSD e filiado ao PSB em abril, a entrar na disputa, enxergando nele um nome competitivo para a governança estadual e um apoio crucial para a reeleição de Lula.

O cenário é ainda mais complexo com a ascensão do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Embora se posicione como independente, Cleitinho é um notório apoiador de Jair Bolsonaro e frequentemente expressa gratidão ao ex-presidente pelo apoio em sua eleição em 2022. Sua decisão de ser ou não candidato, esperada para julho, adiciona uma camada de incerteza às estratégias partidárias.

As articulações do PL em Brasília

A reunião do PL nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, é vista como um momento crucial. O senador Flávio Bolsonaro sentará à mesa com Valdemar Costa Neto, presidente do partido, os deputados mineiros Nikolas Ferreira, Zé Vitor e Domingos Sávio, além do senador Rogério Marinho, do RN, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio. O encontro visa mapear os cenários e delinear as próximas ações.

Segundo Domingos Sávio, o PL considera três principais caminhos. Uma possibilidade é formar uma aliança com o atual governador, Mateus Simões, do PSD. Este acordo envolveria Romeu Zema, do Novo, que renunciou ao mandato para disputar o Planalto, desistindo de seus planos presidenciais para apoiar Flávio. Zema, contudo, já negou publicamente a possibilidade de ser candidato a vice.

Outra vertente é uma candidatura própria do PL, com nomes como Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), ou Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim. Roscoe, que se licenciou da FIEMG em abril deste ano ao se filiar ao PL, confirmou ao g1 que seu nome está à disposição, apesar de não participar das discussões internas da sigla.

A espera pela decisão de Cleitinho, marcada para julho, é vista com preocupação por congressistas do PL, que temem que o prazo seja apertado demais para as convenções partidárias. Além disso, a legenda enfrenta divisões internas, com Nikolas Ferreira manifestando oposição à escolha de Cleitinho, questionando seu alinhamento com os princípios do partido.

Há quem especule, no Centrão, que essa discórdia pode ter raízes em uma futura disputa de poder. Caso Cleitinho vença e busque a reeleição em 2030, ele poderia cruzar o caminho de Nikolas, que também poderia almejar o cargo. Apesar de Nikolas ter uma base de seguidores nas redes sociais significativamente maior (22 milhões contra 4,2 milhões de Cleitinho), essa rivalidade interna é um fator a ser monitorado.

As apostas do PT e as incertezas de Rodrigo Pacheco

A base do presidente Lula, do PT, concentra esforços em Rodrigo Pacheco. Em abril, ao deixar o PSD para se filiar ao PSB, o ex-presidente do Senado já mirava o governo de Minas Gerais, com a benção de Lula. O petista acredita que Pacheco pode ser um nome forte, fundamental para garantir sua reeleição.

Contudo, sinais recentes do blog do Camarotti indicam que Pacheco pode estar reconsiderando sua candidatura. Após a rejeição, no Senado, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), parte do PT levantou suspeitas de que Pacheco teria atuado contra o indicado de Lula. Sua proximidade com Davi Alcolumbre, do União, que se opôs a Messias, e a presença de ambos em um jantar antes da sabatina, alimentam essas desconfianças.

O deputado mineiro Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara, expressa otimismo, esperando a confirmação de Pacheco. "Não ficou nenhum clima em relação à derrota do Messias. Falei com ele [Pacheco] nos últimos dias. Ele me disse que apoiou a indicação, e eu confio. Também agradeceu pela paciência em relação ao anúncio da candidatura", afirmou Correia. Segundo o deputado, Pacheco teria mencionado questões familiares e partidárias como motivos para a indecisão, mas conta com o apoio irrestrito do diretório estadual do PT em Minas.

Planos B do PT

O PT já trabalha com planos alternativos, mantendo diálogo com o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar, e Alexandre Kalil, do PDT, ex-prefeito de Belo Horizonte. Josué Gomes é o nome favorito de Edinho Silva, enquanto Kalil aparece em segundo lugar na pesquisa Quaest, com 14%, atrás de Cleitinho. Alguns petistas sugerem que Kalil, que em 2022 concorreu ao governo pelo PSD com apoio de Lula e perdeu para Romeu Zema, poderia disputar uma vaga no Senado.

Alexandre Kalil, por sua vez, reforça a intenção de ser candidato ao governo de Minas Gerais, independentemente de partidos e alianças, e nega rumores de que desejaria distância do PT e de Lula. Ele já dialogou com oito partidos, incluindo PT, PSDB, Rede e PSOL, afirmando não ver diferença entre as siglas e sentindo-se honrado em conversar com todos. Kalil descarta a possibilidade de concorrer ao Senado, priorizando a proximidade com a família: "A única certeza é que serei candidato ao governo de Minas. Claro que os números me elegeriam senador, mas eu não vou porque não consigo ficar uma semana inteira sem meus netos. Não vou ficar pegando avião para ir para Brasília. A não ser que meus filhos queiram me dar eles, e eles não querem", declarou.

A importância estratégica de Minas Gerais

A pesquisa Quaest sobre intenções de voto no 1º turno para o governo de Minas Gerais (Cenário 1, abril 2026) ilustra a complexidade do pleito. Apesar da ausência de uma imagem explícita para o gráfico nesta reportagem, os dados sublinham a importância da definição dos nomes.

O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), enfatiza o papel de Minas Gerais como o "swing state" brasileiro. Este termo, comum nos Estados Unidos, descreve estados eleitoralmente indefinidos, sem uma preferência consolidada. "Com a direita dividida e a esquerda sem um palanque competitivo, o quadro eleitoral está completamente aberto. Desde 1989, todos os presidentes eleitos venceram em território mineiro", ressalta Medeiros, sublinhando a importância capital do estado para qualquer projeto de poder nacional.

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