DESESPERO EM CUBA

Cubanos protestam contra apagões após anúncio de combustível zerado

Lixo incendiado durante um protesto contra os frequentes cortes de energia em Havana.
Lixo incendiado durante um protesto contra os frequentes cortes de energia em Havana — Foto: REUTERS/Norlys Perez

Governo culpa bloqueio dos EUA por escassez. Havana e outras províncias vivenciam panelaços e escuridão.

Milhares de cubanos intensificaram os protestos em Havana e outras regiões do país nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, realizando panelaços em meio a um apagão maciço que atingiu o leste de Cuba. A onda de indignação popular surge após o anúncio do governo de que suas reservas de combustível "se esgotaram", atribuindo a causa ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Este cenário reflete o desespero de uma população que lida diariamente com a falta de energia e o colapso de serviços básicos.

Lixo incendiado durante um protesto contra os frequentes cortes de energia em Havana — Foto: REUTERS/Norlys Perez

Os apagões, frequentes há meses, agravaram-se nas últimas horas. Dados oficiais, compilados pela AFP, indicam que 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na terça-feira, 12 de maio de 2026.

Devido à asfixia do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, as reservas de combustível de Cuba já "se esgotaram", informou o Ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, em declarações à televisão estatal na quarta-feira, 13 de maio de 2026.

Também na quarta-feira, 13 de maio de 2026, dezenas de pessoas, algumas batendo em panelas e frigideiras, protestaram contra os cortes de luz em San Miguel del Padrón, bairro periférico de Havana, no oeste da ilha, conforme relatado por um morador à AFP. À noite, o cansaço levou moradores de vários bairros da capital a realizarem panelaços similares, segundo testemunhos compilados pela AFP.

“Liguem as luzes!”, era o grito uníssono dos moradores de Playa, bairro a oeste da capital, evidenciando o clamor por normalidade e dignidade.

A empresa elétrica nacional UNE informou, nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que sete das 15 províncias cubanas, "da província de Ciego de Ávila a Guantánamo", foram afetadas por uma desconexão da rede elétrica, conforme nota divulgada em seu site. Além disso, a central termelétrica Antonio Guiteras, a maior do país, ficou fora de serviço, segundo a Prensa Latina.

Desde a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana e capturado por forças americanas em janeiro, Washington intensifica sua política de pressão máxima sobre a ilha, que já é alvo de duras sanções desde 1962.

Cuba responsabiliza os Estados Unidos pela situação "particularmente tensa" de sua rede elétrica, diretamente afetada por longos apagões devido à severa escassez de combustível.

Ajuda Americana em Discussão

Em um desdobramento recente, Cuba anunciou, nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que considera aceitar a ajuda de US$ 100 milhões (equivalente a R$ 491 milhões, na cotação atual), oferecida pelos Estados Unidos sob a condição de que seja distribuída através da Igreja católica. "Estamos dispostos a escutar as características da oferta e a forma como se materializaria", respondeu, nesta quinta, o Ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, na plataforma X.

Os Estados Unidos, por sua vez, atribuem a situação em Cuba à má gestão econômica interna do país. "É uma economia quebrada e disfuncional, e é impossível mudá-la. Gostaria que fosse diferente", declarou o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, em entrevista à Fox News a bordo do Air Force One, enquanto viajava com o Presidente Trump para a China.

Em janeiro, o Presidente Trump assinou um decreto que estabelece que a ilha, situada a 150 km da costa da Flórida, representa uma "ameaça excepcional" para os Estados Unidos, e ameaçou com represálias qualquer país que queira fornecer ou vender petróleo a Havana.

Apesar dos atritos, as relações entre Washington e Havana mantiveram conversações, intensificadas nas últimas semanas, com uma reunião de alto nível diplomático realizada em 10 de abril na capital cubana.

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