DIGNIDADE ESTUDANTIL
Crise na USP: Estudantes ocupam reitoria por permanência e direitos
Movimento pede reajuste de auxílios, fim de problemas sanitários em RUs e cotas, em protesto que se intensifica nesta quinta-feira, 07 de maio.
Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam o prédio da reitoria nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026. A ação visa exigir a retomada das negociações com a administração universitária, após o reitor, Aluísio Augusto Cotrim Segurado, anunciar o encerramento das tratativas na segunda-feira, 04 de maio. Este movimento estudantil expõe a profunda crise no diálogo institucional e a urgência de pautas que tocam diretamente a dignidade e a permanência de milhares de jovens na Universidade de São Paulo, abordando desde a qualidade da alimentação nos restaurantes universitários até a adequação dos auxílios financeiros.
As negociações entre a reitoria, representantes estudantis e sindicalistas foram encerradas unilateralmente pelo reitor Segurado, que, em comunicado de 04 de maio, declarou o fim das tratativas após mais de cinco horas de reunião. Segundo a administração, foram quase vinte horas de diálogo em diversas rodadas desde o início da greve. Contudo, os alunos consideram as propostas insuficientes e exigem a continuidade das conversas.
Reivindicações Estudantis Essenciais
As demandas dos Estudantes são amplas e buscam melhorias significativas na vida universitária. Elas incluem a revisão das regras de uso dos espaços acadêmicos, pautas urgentes como a criação de cotas trans e a implementação de um vestibular indígena. Além disso, denúncias chocantes relatam problemas graves nos restaurantes universitários, com a presença de larvas, baratas e até pedaços de vidro nas refeições – uma realidade que atinge a saúde e a dignidade de quem depende desses serviços.
Um dos pontos centrais do impasse é o Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (PAPFE). A reitoria propôs um reajuste do auxílio integral de R$ 885 para R$ 912, e do auxílio parcial com moradia de R$ 335 para R$ 340. O movimento estudantil, contudo, considera esses valores irrisórios e insuficientes para cobrir o custo real de permanência na Universidade, especialmente em uma cidade como São Paulo, onde o custo de vida é elevado. Para muitos Alunos, essa diferença representa a linha tênue entre continuar ou abandonar os estudos.
Reitoria Repudia Ocupação
Em resposta à ocupação, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da USP divulgou uma nota em seu Instagram, repudiando veementemente os “atos de violência, vandalismo e depredação do patrimônio público” no prédio da reitoria. O comunicado afirma que tais ações são “incompatíveis com os princípios que regem o ambiente acadêmico, fundamentado no diálogo, no respeito e na convivência democrática”. A postura da reitoria, ao focar na repressão em vez da abertura ao diálogo, aprofunda o abismo entre a administração e as justas reivindicações da comunidade estudantil.
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