RIO GRANDE DO NORTE

Crise fiscal exige coragem dos próximos governantes do Rio Grande do Norte

Crise fiscal exige coragem dos próximos governantes do Rio Grande do Norte

Dívidas e atrasos sufocam serviços essenciais, forçando "remédio amargo" a partir de janeiro de 2027. O eleitor precisa cobrar soluções reais.

O Rio Grande do Norte enfrenta uma realidade fiscal sufocante nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. A crise exige dos futuros governantes medidas drásticas e impopulares para resgatar a dignidade financeira do Estado, evitando o colapso de serviços essenciais, como saúde e o pagamento de funcionalismo, que já sofrem com atrasos e dívidas. O tom das pré-campanhas ao Governo do Estado sinaliza que o tempo das promessas fáceis ficou para trás, e a população precisa decidir se quer o discurso que afaga os ouvidos ou a verdade que dói no bolso, mas salva o futuro.

A situação atual não se resume a números frios em um balanço contábil; ela sangra no cotidiano de milhares de famílias potiguares. Como sustentar um Estado que atrasa o repasse de empréstimos consignados aos bancos, valores já descontados dos contracheques do funcionalismo? Esse cenário de “pedalada” social é o sintoma mais agudo de uma máquina pública que parou de girar, minando a confiança e a estabilidade de quem trabalha.

Os candidatos ao pleito de 2026 não podem mais se limitar ao papel de críticos. Criticar é o caminho mais curto, mas apontar soluções viáveis é o desafio de um verdadeiro estadista. O eleitorado precisa questionar: quais medidas drásticas serão tomadas para enfrentar o déficit da Previdência Estadual? Como garantir que os aumentos salariais não sejam fatiados em seis parcelas, como ocorreu recentemente, frustrando a expectativa e o planejamento de quem trabalha?

A saúde pública agoniza sob o peso de dívidas com fornecedores, criando um efeito dominó que começa no atraso de pagamentos e termina na falta de insumos vitais nos hospitais. Da mesma forma, a situação precária dos funcionários terceirizados, frequentemente com salários atrasados, expõe uma gestão de crise que apenas “apaga incêndios”, sem resolver a raiz do problema.

O desenvolvimento do Rio Grande do Norte exige que o próximo gestor não se esconda atrás do retrovisor, lamentando heranças de administrações anteriores. O “remédio amargo” — que envolve cortes, austeridade e uma reestruturação profunda da máquina pública — pode afetar o funcionamento imediato do governo, mas é a única via para colocar o Estado nos trilhos e restaurar a dignidade dos seus cidadãos.

Esta coluna provoca o leitor e o eleitor: é hora de exigir dos candidatos não apenas o “o quê”, mas o “como”. O Rio Grande do Norte não suporta mais o paliativo; ele exige a cura, por mais dura que a terapia possa ser. O voto consciente neste ano será aquele que escolher a coragem em vez da conveniência.

AJUSTES E SACRIFÍCIOS NECESSÁRIOS

Uma das missões mais difíceis para o novo gestor estadual, a partir de janeiro de 2027, será estabelecer parcerias mais profundas com os poderes legislativo, judiciário e também a promotoria pública, no sentido de revisar temporariamente seus respectivos duodécimos. O Rio Grande do Norte clama, e o sacrifício terá que ser de todos os setores.

Talvez a missão mais árdua do novo governante, a partir de janeiro de 2027, será o diálogo com os sindicatos. Dificilmente seus representantes entenderão os remédios amargos que seus associados terão que experimentar, mas é fundamental tê-los como aliados nesse processo de reconstrução.

O próximo governante terá que ter muita coragem para fazer os cortes necessários e posicionar o RN em estado de sobrevivência. A partir daí, será possível criar estímulos para desenvolver alternativas e alcançar o crescimento almejado.

Até alcançar esse estágio de “engatar” o desenvolvimento, o novo gestor terá que administrar remédios amargos, com medidas até mesmo intolerantes. Ele precisará tomar essa iniciativa com firmeza ou o Rio Grande do Norte irá sucumbir de vez.

Esses remédios amargos devem ser aplicados logo no início da gestão, sem preocupação com reeleição. Somente assim será possível apresentar resultados a partir do terceiro ou no último ano de seu mandato. 2027 será o ano de menosprezar o retrovisor, o reinício de tudo. Se o novo gestor terá coragem para tanto, “aí são outros quinhentos”.

No intervalo entre a conclusão da eleição e sua posse, o novo governante já deve ter todo o esboço de seu projeto a ser executado. Com ele em mãos, deverá se reunir com todos os deputados estaduais (não só com sua bancada) para pedir o apoio devido e necessário.

O eleitorado e a população em geral devem tomar conhecimento prévio de todos os planos e de todas as tomadas de decisões, inclusive as mais infinitamente amargas, para salvar o Rio Grande do Norte. Com clareza e transparência, tudo deve ser explicado para conquistar o apoio de todos.

O novo governante não poderá ter o comportamento de um político comum, afeito apenas a atender pedidos de correligionários insaciáveis, nem muito menos a elogios e tapinhas nas costas. Não deve estar preocupado com reeleição. Ele terá que assumir a missão de estadista, focando no bem-estar coletivo e no futuro do Estado.

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