GUERRA E PETRÓLEO
Crise em Ormuz impulsiona verba de guerra da Rússia, alerta analista
Economista Gabriel Monteiro detalha como alta do barril gera lucro a Moscou, mesmo com sanções, e prolonga conflito na Ucrânia. Preços disparam para US$ 120.
O crescente impasse no Estreito de Ormuz se tornou um inesperado motor financeiro para a Rússia, injetando milhões nos cofres de guerra contra a Ucrânia. A análise, detalhada pelo economista Gabriel Monteiro nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, durante o Agora CNN, revela como a alta global do petróleo, impulsionada pela crise na rota marítima estratégica, amplifica a arrecadação russa, mesmo com os descontos oferecidos a parceiros comerciais. Esse cenário não apenas prolonga o devastador conflito na Ucrânia, mas também ressoa com impactos econômicos significativos para consumidores e nações ao redor do mundo, que veem os custos da energia dispararem.
Petróleo russo: fonte essencial de arrecadação
Gabriel Monteiro explica que quase um quarto da receita do governo russo depende da venda internacional de petróleo. Desde a invasão da Ucrânia, os Estados Unidos aplicaram sanções rigorosas ao petróleo russo, visando cortar o fluxo de recursos. Contudo, essa commodity permanece vital para Moscou. O presidente Volodymyr Zelensky tem reiterado que a compra de petróleo russo equivale a um financiamento direto da guerra, um apelo que ganha urgência com a recente valorização.
A intensificação do impasse em Ormuz fez o preço do barril de petróleo disparar, ultrapassando os 100 dólares e atingindo picos de 120 dólares. Apesar de a Rússia vender seu petróleo com deságio para manter seus compradores, a commodity russa surfou na alta global. Isso significa que Moscou vende o mesmo volume de petróleo, mas agora a um custo significativamente maior para o mundo, elevando seus lucros de guerra.
Sanções suspensas e volumes recordes de importação
Preocupados com um possível choque energético global, os Estados Unidos suspenderam temporariamente algumas sanções ao petróleo russo nos últimos dois meses. Essa medida abriu caminho para que nações voltassem a comprar o produto com mais liberdade. A Índia, por exemplo, tornou-se um dos maiores beneficiários, importando volumes recordes de petróleo russo entre abril e maio, justamente no auge da crise de Ormuz.
Contudo, Scott Bassett, secretário do Tesouro norte-americano, já sinalizou que a suspensão temporária das sanções expirou e não será renovada. Apesar disso, a persistência da crise energética e a escalada dos preços dos combustíveis para consumidores americanos poderiam, paradoxalmente, transformar o fechamento prolongado de Ormuz em um benefício fiscal concreto e duradouro para a Rússia.
Produção em queda, mas ganhos no curto prazo
Mesmo com ataques ucranianos a infraestruturas energéticas russas e a revisão para baixo das projeções de produção de petróleo para os próximos anos, o cenário atual garante um fluxo imediato de recursos. "O impacto de curto prazo é mais dinheiro na mão dos russos", reiterou Gabriel Monteiro, sublinhando a vantagem financeira imediata que Moscou obtém da situação.
No front diplomático, o Irã confirmou, no último fim de semana, que seu sistema de cobrança de pedágios no Estreito de Ormuz está finalizado e pronto para implementação. Essa medida é veementemente combatida pelos Estados Unidos, que tentam articular uma reabertura forçada da rota na ONU. No entanto, em um revés para Washington, China e Rússia já vetaram a proposta na reunião mais recente do conselho e sinalizaram que farão o mesmo em futuras tentativas, consolidando o impasse.
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