FALTA DE COMPONENTES

Crescimento da IA pode gerar crise de chips de memória, alertam especialistas

Close-up de chips de memória RAM em uma placa de circuito.
Chips de memória RAM são essenciais para o funcionamento de diversos dispositivos eletrônicos.

Demanda por inteligência artificial e concentração de produção na Ásia complicam o fornecimento de memória RAM, com projeções de escassez até 2030.

A atual explosão da inteligência artificial (IA) pode desencadear uma nova crise de escassez de chips de memória RAM, com projeções de aumento de preços nos próximos meses. Esses componentes, essenciais para o armazenamento temporário de dados em celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos, já apresentam estoques globais em declínio, com efeitos diretos no bolso do consumidor.

O alerta parte de especialistas como Adriano Ponte, do Canal Tech, que explicou à CNN Brasil como um único componente, presente em praticamente toda a tecnologia moderna, tornou-se gargalo. "Ele está presente tanto na placa de vídeo, quanto na memória RAM, quanto no seu celular, quanto em inúmeras aplicações", detalhou Ponte. A complexidade reside no fato de que esse mesmo componente pode ser adaptado para as altíssimas demandas de velocidade impostas pela IA.

A demanda sem precedentes por parte dos grandes players de IA foi o principal gatilho para o esgotamento dos estoques globais. "Pela primeira vez existe um consumo excessivo da indústria, dos grandes players de IA em volta disso. Então acabou no mercado", afirmou Ponte. O que antes previa uma reserva de seis meses, foi consumido rapidamente.

A produção de chips de memória RAM está concentrada em poucos e poderosos fornecedores globais: SK Hynix e Samsung, ambas sul-coreanas, e a americana Micron. Essa concentração, especialmente na Ásia, torna a reposição de estoques um processo inerentemente lento e complexo. A expectativa de normalização do mercado, antes projetada para 2027, já foi revisada para 2028, com algumas análises apontando para 2030.

Um fator adicional de incerteza é o receio das fabricantes em expandir a produção de forma acelerada, temendo repetir prejuízos de crises passadas quando a demanda arrefeceu. Essa cautela pode estender o período de escassez. Adicionalmente, a própria arquitetura de chips utilizada pela IA pode mudar, tornando a atual demanda potencialmente temporária, embora sem garantias.

Para o consumidor, a recomendação é de cautela. Modelos de gerações anteriores, como processadores Intel de 10ª ou 11ª geração, continuam plenamente funcionais e podem ser encontrados por preços mais acessíveis. "Computadores que não são topo de linha continuam funcionando muito de um ano para o outro. Não há necessidade de você comprar o melhor", aconselha Ponte. A orientação é avaliar a real necessidade de atualização, pois "é o pior ano para isso".

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário