SEGURANÇA INTEGRADA
Cosud discute unificar dados criminais para proteger a sociedade
Tenente-coronel de SP detalha projeto que agilizará identificação de criminosos e proteção de vítimas de violência, um trabalho de médio prazo.
Os sete Estados que compõem o Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) avançam em discussões para criar uma base integrada de dados criminais, com o objetivo de otimizar o combate ao crime e proteger a sociedade. A iniciativa foi detalhada nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, pelo tenente-coronel Rodrigo Vilardi, da Polícia Militar de São Paulo, durante sua palestra no São Paulo Innovation Week. A medida busca superar a fragmentação de informações entre os bancos de dados estaduais, prometendo maior agilidade na identificação de criminosos e na aplicação da Justiça, impactando diretamente a segurança e a dignidade dos cidadãos.
No evento, promovido pelo Estadão, o tenente-coronel Rodrigo Vilardi, da Polícia Militar de São Paulo, abordou a importância de unificar bases de dados de criminosos e procurados pela Justiça. Ele foi o palestrante do painel "Transformação do Estado: Gestão, Tecnologia e Inovação para Governos Mais Capazes", no palco E-Gov. O Cosud reúne São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, representando uma significativa parcela da população brasileira.
Vilardi apresentou também o programa Muralha Paulista, uma ferramenta essencial que integra câmeras de segurança e outros sensores espalhados pelo Estado. Esse sistema inovador permite reconhecimento facial de condenados pela Justiça e rastreamento de veículos roubados, fortalecendo a capacidade de resposta das forças de segurança. A principal dificuldade, ressaltou o tenente-coronel, é a falta de comunicação entre os bancos de dados estaduais. Atualmente, a identificação de um criminoso procurado em outro Estado, por exemplo, ainda depende de trocas de e-mails, um processo lento e ineficiente.
A proposta da integração é acelerar drasticamente a troca de informações. "Nós temos frentes para integrar dados de registros de crime, especialmente roubo de celulares, e com relação a bancos de dados criminais, especialmente os de identificação biométrica, sejam elas datiloscópicas (impressões digitais) ou identificação facial", explicou Vilardi, classificando o esforço como um trabalho de médio prazo. Ele ainda enfatizou a abertura de São Paulo para se integrar a iniciativas semelhantes de outros Estados e do governo federal.
Além disso, o Muralha Paulista desenvolverá um projeto crucial para emitir alertas de descumprimento de medidas protetivas, mesmo quando o agressor não estiver usando tornozeleira eletrônica. "O indivíduo, mesmo sem tornozeleira, que tem o local que ele está proibido de ir e ele ingressa nesse local, a gente detecta por meio das câmeras", detalhou Vilardi, que assegurou a disponibilidade dessa funcionalidade em breve para as forças de segurança. Esta inovação pode ser um divisor de águas na proteção de vítimas de violência, garantindo que a distância imposta pela Justiça seja de fato respeitada.
O São Paulo Innovation Week (SPIW), evento que sedia esses importantes debates, é o maior festival global de tecnologia e inovação. Realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, o festival segue até sexta-feira, 15 de maio de 2026. Ele reúne mais de 2 mil palestrantes brasileiros e estrangeiros, abordando temas variados como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.
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