GOVERNO REDUZ VERBA

Corte no seguro rural pressiona custo de crédito do agro

Plantação com sinais de seca e um gráfico financeiro caindo.
Seguro rural é vital para a proteção financeira de produtores em face de eventos climáticos.

Contingenciamento de R$ 461,7 milhões impacta o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), essencial para proteção de produtores.

O governo federal decidiu contingenciar R$ 461,7 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), um corte que reduz significativamente a verba prevista para este ano, que era de R$ 1,1 bilhão. A decisão, tomada nesta sexta-feira, 19/06/2026, tem como principal motivo a necessidade de ajuste fiscal, mas acende um alerta para o setor produtivo. O seguro rural é um pilar fundamental para a estabilidade e proteção financeira de produtores rurais, oferecendo cobertura contra perdas significativas decorrentes de eventos climáticos adversos como secas e enchentes, que impactam diretamente a produtividade das lavouras e a dignidade das famílias que dependem do campo.

Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, destacou que o contingenciamento ocorre em um momento particularmente delicado para o agronegócio brasileiro. As safras já sofrem com os efeitos do fenômeno El Niño, e o setor ainda lida com a pressão de juros elevados e o aumento dos custos de financiamento. Esse cenário complexo já tem sido sentido pelas empresas do agronegócio listadas na bolsa de valores.

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, reforça a preocupação do mercado financeiro com o agro, classificando-o como um dos segmentos mais críticos no momento. Ela aponta a recente queda nas ações do Banco do Brasil, devido ao avanço da inadimplência no setor, como um reflexo dessa vulnerabilidade. O banco, com forte exposição ao agronegócio, enfrenta desafios adicionais com a alta dos fertilizantes — impactada pela guerra —, juros altos e agora a dificuldade na garantia da produção.

A análise aponta que o próprio modelo de financiamento do agronegócio agrava a situação em períodos de quebra de safra. O produtor, que depende de crédito no início do ciclo para o plantio, precisa da produção para cobrir esses custos ao longo do ano. Uma quebra na produtividade compromete diretamente essa capacidade de pagamento, tornando o setor intrinsecamente mais arriscado.

Diante desse quadro, Marilia Fontes alerta que os ativos financeiros ligados ao agronegócio passaram a exigir prêmios maiores, refletindo a piora na percepção de risco. Ela aconselha cautela com os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e com os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), além de empresas do setor listadas na bolsa.

O programa Resenha do Dinheiro, realizado com apoio da B3 e da BlackRock, é apresentado por Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”, Marilia Fontes e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb. Com uma abordagem descontraída e direta, o programa semanalmente desmistifica temas de educação financeira e investimentos, oferecendo análises sobre os principais assuntos econômicos.

A Resenha do Dinheiro é exibida todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube, e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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