POLÍTICA EM RIO GRANDE DO NORTE

Coronel Hélio declara modelo do PT "falido" e aposta em polarização para 2026

Coronel Hélio, pré-candidato ao Senado, em entrevista.
Coronel Hélio, pré-candidato ao Senado.

Pré-candidato ao Senado pelo PL critica governos petistas e projeta disputa acirrada entre direita e esquerda nas próximas eleições.

O pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) afirmou, nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, que o modelo político representado pelo PT está esgotado tanto no Rio Grande do Norte quanto no cenário nacional. Ele projetou que as eleições de 2026 serão marcadas por uma forte polarização entre direita e esquerda.

Em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, o militar da reserva defendeu que a disputa estadual seguirá a mesma lógica da corrida presidencial. Coronel Hélio classificou os governos petistas como fracassados em áreas essenciais como segurança, educação, saúde e infraestrutura.

“O modelo PT aqui no Rio Grande do Norte está falido, o modelo PT nacional também está falido”, declarou o pré-candidato.

A avaliação de Coronel Hélio surge em um momento em que o grupo governista tenta consolidar a candidatura do ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado. Paralelamente, a oposição se organiza em torno do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União). Para o pré-candidato ao Senado, porém, o cenário tende a reproduzir a divisão ideológica observada no plano nacional.

Segundo ele, a polarização entre PT e PL já está em curso e deve se aprofundar ao longo da campanha. “A polarização já está acontecendo. Ela vem normalmente de cima para baixo. Nós temos hoje Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, no PT e no PL, e isso está vindo para os estados”, afirmou.

Ao analisar a disputa para o Senado, Coronel Hélio enquadrou o cenário dentro dessa mesma lógica. Ele se apresentou como representante do campo conservador e afirmou que o eleitorado terá de escolher entre candidatos identificados com a direita e nomes ligados à esquerda.

“Hoje estamos bem definidos aqui no Estado com dois candidatos à direita, o Coronel Hélio e o Capitão Styvenson (Podemos), contra quatro candidatos da esquerda: Zenaide Maia (PSD), Rafael Motta (PSB), Samanda Alves (PT) e Sandro Pimentel (Psol)”, declarou.

A fala reforça a estratégia adotada pelo PL de nacionalizar a disputa potiguar, vinculando as candidaturas locais ao embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a entrevista, Coronel Hélio se apresentou como o candidato do bolsonarismo ao Senado no Rio Grande do Norte e afirmou que sua indicação foi respaldada tanto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quanto pelo ex-presidente. “Eu sou o candidato de Bolsonaro. Eu sou o senador de Bolsonaro no Estado”, declarou.

Na avaliação do pré-candidato, a tendência é que o mesmo fenômeno observado nas eleições municipais de Natal em 2024 se repita em 2026. Hélio citou a vitória do prefeito Paulinho Freire (União) contra Natália Bonavides (PT) como exemplo de uma mudança gradual do cenário eleitoral em favor da direita. “Eu tenho visto que isso está acontecendo e vai acontecer também a nível nacional”, afirmou.

Ele também associou esse movimento ao crescimento de lideranças conservadoras em outros países da América do Sul, citando a eleição de presidentes de direita em países como a Colômbia — que teve eleições neste domingo, 21 de junho de 2026. Segundo o pré-candidato, existe uma “onda da direita” em curso no continente e que ela deverá alcançar o Brasil nas próximas eleições.

As críticas ao PT ocuparam parte significativa da entrevista. Coronel Hélio direcionou ataques tanto ao governo federal quanto à administração da governadora Fátima Bezerra (PT).

Ao comentar a situação do Rio Grande do Norte, afirmou que a atual gestão apresenta resultados insatisfatórios em diversas áreas. “O Governo do Estado do Rio Grande do Norte apresenta índices muito tristes na educação, na saúde, na segurança e também na infraestrutura”, declarou.

Combate ao crime

A área da segurança pública, principal bandeira política do pré-candidato, foi utilizada como exemplo para sustentar sua crítica ao governo federal. Hélio afirmou que o combate às facções criminosas tem sido insuficiente e acusou a gestão petista de reduzir investimentos em ações de enfrentamento ao crime organizado.

Segundo ele, o governo federal teria bloqueado recursos destinados a operações de fiscalização e repressão nas fronteiras. “O governo do PT bloqueou R$ 4,5 bilhões de investimentos nessas operações”, afirmou.

Coronel Hélio também criticou declarações atribuídas ao presidente Lula sobre o tráfico de drogas. Na visão do pré-candidato, as organizações criminosas não buscam apenas lucro financeiro, mas também poder político e territorial. “Lula está falando que o traficante só quer dinheiro. Não. O traficante quer poder. O tráfico quer domínio de território”, declarou.

Em uma das falas mais contundentes da entrevista, o pré-candidato afirmou que o crime organizado já estaria atuando politicamente. “O tráfico já tem os candidatos escolhidos. O que está faltando é a direita conservadora escolher os seus candidatos para poder ser representada no Congresso”, disse.

A declaração se soma a uma série de manifestações recentes de lideranças conservadoras que defendem o endurecimento das políticas de segurança pública e uma atuação mais agressiva no combate às facções.

Ao longo da conversa, Coronel Hélio procurou reforçar sua imagem como representante desse segmento do eleitorado. Ele defendeu a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas, elogiou a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar PCC e Comando Vermelho nessa categoria e rejeitou a tese de que a medida represente interferência estrangeira nos assuntos brasileiros.

“Nenhuma”, respondeu ao ser questionado se via na iniciativa norte-americana uma afronta à soberania nacional.

O pré-candidato também voltou a defender o fortalecimento da aliança entre ele e o senador Styvenson Valentim na disputa pelas duas vagas ao Senado. Segundo Hélio, a chamada “dobradinha” será consolidada após a convenção do PL e tende a fortalecer ambos os candidatos. “Essa casadinha é muito bem-vinda na visão do eleitor de centro-direita”, afirmou.

Além das críticas ao PT e da análise eleitoral, Coronel Hélio apresentou propostas voltadas para a segurança pública, área na qual construiu sua trajetória profissional.

Uma das principais ideias defendidas pelo pré-candidato é a criação de uma base permanente do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) na região Oeste do Estado, especialmente em Mossoró. Segundo ele, a proximidade com o presídio federal e o avanço das facções criminosas justificam a instalação de uma estrutura permanente de apoio aéreo.

A proposta inclui a busca de recursos por meio de emendas parlamentares e parcerias com empresas privadas, especialmente do setor de energia eólica.

Outra bandeira defendida por Hélio é a ampliação do sistema prisional brasileiro. O pré-candidato afirmou que atualmente existem cerca de 600 mil condenados sem vagas disponíveis nos presídios do país e defendeu a construção de novas unidades prisionais. “Está faltando realmente presídio”, afirmou.

Na área operacional, o pré-candidato defendeu maior integração entre as forças de segurança dos estados, ampliação do trabalho de inteligência e participação mais ativa das Forças Armadas no combate ao crime organizado. Segundo ele, o avanço das facções exige uma atuação coordenada entre polícias, Exército, Marinha e Aeronáutica, especialmente nas fronteiras e em regiões consideradas estratégicas para o tráfico de drogas.

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