EXCLUSIVO: VÍNCULOS PERIGOSOS

Coronel da PM de São Paulo mantém laços com operador financeiro do PCC

Fotografia noturna mostra grupo reunido em confraternização ao lado de uma piscina
Coronel Luiz Carlos Pereira Martins aparece em celebração de Ano Novo ao lado de investigados pelo MPSP - Metrópoles

Registros fotográficos revelam proximidade entre o coronel Luiz Carlos Pereira Martins e investigados por lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital.

Imagens inéditas obtidas pelo Metrópoles expõem o relacionamento próximo entre o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, da Polícia Militar de São Paulo, e figuras centrais apontadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como operadores financeiros de uma estrutura criminosa que serviria ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os registros documentam o oficial em momentos de lazer ao lado de Cléber Azevedo dos Santos, investigado pela Operação Janus, que apura a movimentação de recursos ilícitos da facção. Em uma das fotografias, capturada durante a madrugada do Ano Novo de 2023, o coronel aparece em uma celebração festiva ao lado de Cléber e familiares, com a legenda "Amigos sempre juntos".

A proximidade transcende o evento social. Outro registro mostra Pereira Martins em um restaurante com um grupo de cerca de 20 pessoas, incluindo Cléber e o advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior, este último detido em março de 2026 pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Bazaar. Ambas as imagens foram removidas das redes sociais na tarde de quarta-feira (23/7), conforme constatado pela reportagem.

Rede de relacionamentos sob análise

Para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os registros não sugerem contatos fortuitos, mas sim vínculos de amizade mantidos mesmo após os alvos se tornarem foco de investigações policiais. A integração entre o oficial e os suspeitos era consolidada em grupos de mensagens como o "Aniversário general", ativo até novembro de 2023.

O MPSP aponta que o grupo liderado por Cléber, e associado a nomes como o doleiro Leonardo Meirelles, operava uma espécie de banco clandestino. A plataforma, ligada à fintech Akron, teria como objetivo ocultar a origem de verbas e dificultar o rastreamento financeiro de integrantes da facção.

Além do coronel Pereira Martins, o relatório do Gaeco menciona outros oficiais da cúpula da corporação, como José Augusto Coutinho e um oficial identificado como Patrício. Até o momento, nenhum dos três coronéis foi denunciado formalmente ou tornou-se alvo da Operação Janus. As referências servem, por ora, para ilustrar a rede de contatos que facilitaria o trânsito dos operadores financeiros em esferas de influência pública.

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