VIOLÊNCIA POLICIAL INVESTIGADA
Alvo da PF morreu em ação da Rota após suplicar pela própria vida
Testemunha relata que homem pediu para não ser morto antes de ser atingido por disparos; Polícia Civil apura possível falha no acionamento de câmeras corporais.
Eduardo Silva Cezar, conhecido como Créck, perdeu a vida durante uma operação da Polícia Federal (PF) voltada ao combate de uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso, que gera questionamentos sobre a conduta da força policial, ocorreu na manhã desta quinta-feira (30/7), no Jardim Santa Terezinha, na zona sul da capital paulista.
A namorada de Eduardo, de 37 anos, que estava no local no momento da incursão dos agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), relatou à Polícia Civil que a vítima implorou para não ser morta pouco antes de ser atingida por quatro disparos. Segundo o depoimento, registrado com autorização e integrado ao inquérito policial, os agentes teriam determinado que ela e uma criança deixassem o imóvel, conduzindo Eduardo até a cozinha. Foi nesse instante que ela afirmou ter ouvido o apelo e, na sequência, o barulho dos tiros.
A investigação conduzida pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) busca esclarecer a legalidade da intervenção. Um ponto central da apuração envolve as câmeras corporais dos PMs. Em diligência realizada após o ocorrido, o delegado responsável solicitou as gravações do momento exato dos disparos. Contudo, um tenente da Rota informou que os equipamentos foram acionados apenas após o suposto confronto, impedindo a verificação visual da dinâmica do fato.
Em registro oficial, o delegado responsável pelo caso ressaltou que a ausência de imagens de momentos cruciais de ações policiais é uma ocorrência recorrente que prejudica a transparência das operações. Enquanto a versão dos agentes sustenta que houve resistência à prisão e que Eduardo estaria armado com uma pistola Taurus calibre 40, a testemunha afirma não ter visto qualquer armamento em posse do namorado.
Eduardo, que possuía um histórico criminal complexo, incluindo condenação por feminicídio cometido em 2014, era alvo da Operação Fragmento da PF. O inquérito segue em curso para determinar se houve abuso de autoridade ou execução, aguardando laudos periciais que detalhem as trajetórias dos disparos encontrados no corpo da vítima.
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