SEGURANÇA MÁXIMA
Coronel Brilhante se lança a deputado federal com foco no crime
O tenente-coronel Inácio Brilhante Filho disputará uma vaga na Câmara Federal pelo PL em 2026. Plataforma: endurecimento penal e combate a facções no Rio Grande do Norte.
O tenente-coronel da Polícia Militar Inácio Brilhante Filho, conhecido como Coronel Brilhante, anunciou nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, sua pré-candidatura a deputado federal pelo PL. Com uma plataforma centrada no combate rigoroso ao crime organizado e na segurança pública, a decisão reflete a urgência em enfrentar a expansão das facções criminosas no Rio Grande do Norte. Motivado por apelos da população e por sua experiência em campo, Coronel Brilhante busca levar para a Câmara Federal um discurso de endurecimento penal, visando restaurar a dignidade e a tranquilidade de comunidades que hoje sofrem com a violência e a intimidação.
Com uma trajetória consolidada no interior do Estado, especialmente na região Oeste, Brilhante ganhou notoriedade na Polícia Militar por sua atuação enérgica em operações contra quadrilhas de assalto a banco e grupos ligados ao temido “Novo Cangaço”. Durante a entrevista ao podcast Especial Eleições 2026, da TV Agora RN, ele utilizou sua vasta experiência em confrontos armados e operações policiais para sustentar o argumento de que o Rio Grande do Norte enfrenta um processo acelerado de expansão das facções criminosas, com impacto direto na vida dos cidadãos.
“Hoje, em alguns pontos do Estado do Rio Grande do Norte, integrantes de facções criminosas cobram pedágio”, denunciou. O problema, segundo ele, não se restringe à Região Metropolitana de Natal. “Quase toda cidade tem uma célula de uma facção criminosa. E eles brigam por território”, declarou o militar, apontando para a perda de controle sobre o espaço público e a vida privada das pessoas.
Ao justificar sua entrada na política, Brilhante revelou que passou a ser procurado por moradores de diversos municípios para discutir não apenas segurança, mas também desafios em saúde, infraestrutura e educação. A pressão de apoiadores e aliados políticos, portanto, foi crucial para impulsionar seu nome na disputa eleitoral.
Apesar de uma resistência inicial, por acreditar que sua atuação operacional na corporação era ainda mais essencial, Brilhante já havia sido candidato a deputado federal em 2022 pelo PP, conquistando pouco mais de 30 mil votos. Agora, ele alinha sua candidatura ao PL e ao campo bolsonarista. “Eu sou de direita, conservador, bolsonarista”, reafirmou, durante a entrevista, seu posicionamento ideológico.
Sua aproximação com o PL veio após um convite do senador Rogério Marinho, presidente estadual da sigla. Embora ainda na ativa e, consequentemente, sem filiação partidária formal até o período das convenções, ele já desenvolve ações políticas ao lado de nomes como o pré-candidato ao Senado Coronel Hélio.
Brilhante narrou ter percorrido mais de 100 municípios ao lado de seu aliado, em um movimento que batizou de “Rota dos Coronéis”. O objetivo, explicou, foi ouvir as demandas da população e fortalecer as bases políticas no interior do Estado. “Por onde eu passo, estou sendo muito bem acolhido. As pessoas já dizem: ‘Olha, você está no 22, é isso aí que a gente queria que você estivesse aí mesmo’”, relatou sobre o calor do eleitorado.
A segurança pública dominou grande parte da entrevista. Coronel Brilhante argumentou que o Estado perdeu espaço para o crime organizado nos últimos anos, relembrando que já alertava, entre 2007 e 2008, sobre a presença embrionária do PCC no Rio Grande do Norte. Ele também chamou a atenção para o crescente poderio bélico dos criminosos. “Agora, no nosso Estado, vocês veem que constantemente se faz abordagem contra fuzil”, alertou, enfatizando que o combate a esse avanço exige reforço das fronteiras brasileiras e uma maior integração entre estados. “O Ceará tem que fazer a parte dele. A Paraíba tem que fazer a parte dela. O Estado do Rio Grande do Norte também”, defendeu, sobre a necessidade de cooperação.
O policial teceu críticas contundentes ao que considera uma invasão territorial das organizações criminosas sobre comunidades e serviços privados. Citando ataques a provedores de internet na Grande Natal, ele afirmou que as facções já interferem diretamente na vida cotidiana da população. “As facções criminosas já estão entrando em suas residências”, afirmou. “Não é somente pela questão da droga. É a partir do momento que ela obriga você a usar um provedor deles”, exemplificou, mostrando a gravidade da situação.
Brilhante defendeu mudanças profundas na legislação penal brasileira, mas ressaltou que o endurecimento das leis por si só não basta. Para ele, são cruciais alterações no sistema penitenciário e na política de responsabilização criminal de adolescentes. “Tem que baixar para 14 anos”, afirmou, ao defender a redução da maioridade penal, uma vez que, segundo ele, “o crime começa a recrutar adolescentes de 13, 14 e 15 anos”.
O militar também criticou os benefícios concedidos a detentos, afirmando que o sistema prisional brasileiro perdeu seu caráter punitivo. “A cadeia, o presídio, não é local de parque de diversão nem tão pouco colônia de férias”, disse, defendendo uma reavaliação das condições de cumprimento de pena.
Ao comentar a progressão de pena, Brilhante afirmou que muitos criminosos voltam às ruas rapidamente e reincidem em delitos ainda mais graves, gerando um ciclo vicioso de violência. “Quando eles saem do presídio, voltam a cometer tudo de novo e, na sua maioria, crimes mais graves”, declarou, evidenciando o impacto negativo na segurança pública.
Em outro momento da entrevista, ele trouxe exemplos recentes de violência urbana para reforçar seu discurso sobre o agravamento da insegurança no Estado. Ao mencionar confrontos em Mãe Luiza, em Natal, destacou como a violência paralisa a rotina da população. “Fechou a UPA, a escola fechou. O trabalhador de bem está refém do sistema das facções criminosas”, lamentou, humanizando o impacto do problema.
Sobre a disputa majoritária, Brilhante revelou que seu grupo político preferia inicialmente a candidatura do senador Rogério Marinho ao Governo do Estado. No entanto, o PL, segundo ele, apoiou integralmente a adesão à candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que se filiou à legenda. “A gente abraçou o ex-prefeito Álvaro Dias”, confirmou.
Na avaliação do policial, a eleição estadual de 2026 tende a replicar a polarização nacional entre direita e esquerda. Por isso, ele aposta em um possível segundo turno entre Álvaro Dias e o ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT). Candidatos situados no centro político, como o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), devem, em sua visão, perder espaço ao longo da campanha. “Ou você está na esquerda ou você está na direita”, afirmou. “Não temos mais vaga para quem está no meio”, acrescentou, sublinhando sua percepção do cenário político.
Na disputa para o Senado, Brilhante defendeu a candidatura de Coronel Hélio e expressou simpatia pela reeleição do senador Styvenson Valentim (Podemos). Apesar das críticas recentes feitas por associações de oficiais da PM após declarações do parlamentar sobre coronéis da corporação, Brilhante relativizou a polêmica, afirmando que o senador foi mal interpretado.
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