CRIME E SAÚDE

Contrabando de canetas para emagrecer supera cigarros na fronteira

Canetas para emagrecer apreendidas pela fiscalização em operação contra o contrabando.
Nenhuma caneta emagrecedora produzida no Paraguai pode ser vendida no Brasil. — Foto: Reprodução/TV Globo

Mercado clandestino de emagrecedores movimenta R$ 10 bilhões em seis meses e desafia fiscalização. Produtos sem registro colocam a vida de consumidores em risco.

O contrabando de canetas para emagrecer tornou-se uma das principais preocupações das autoridades brasileiras após superar o volume de apreensões de cigarros na fronteira entre Brasil e Paraguai. A decisão de intensificar o monitoramento em Foz do Iguaçu (PR) foi tomada pela Receita Federal, em conjunto com forças de segurança, para combater um esquema que movimenta cerca de R$ 10 bilhões em seis meses e coloca em risco a saúde pública de milhares de brasileiros que buscam resultados rápidos na perda de peso.

Em 13/07/2026, a Polícia Rodoviária Federal reportou que o cenário de ilegalidade cresceu exponencialmente. Até dois anos atrás, esses medicamentos sequer figuravam entre os dez itens mais apreendidos na alfândega; hoje, ocupam o segundo lugar, atrás apenas de smartphones. O fluxo de produtos ilícitos utiliza rotas que passam por fundos falsos de veículos, motores e até bagagens coladas ao corpo de viajantes.

A maior apreensão da história

Uma operação da Polícia Rodoviária Federal marcou um ponto crítico nesta escalada criminosa ao interceptar mais de 30 mil unidades de emagrecedores em um único caminhão que partia de Foz do Iguaçu em direção ao estado de São Paulo. O volume superou em cinco vezes o recorde anterior, evidenciando a escala industrial que o contrabando atingiu.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nenhuma caneta produzida no Paraguai possui registro para comercialização no Brasil. Isso implica que esses itens não passaram por qualquer crivo de qualidade ou segurança, sendo frequentemente originários da China e da Índia. Em diversos casos, os insumos chegam ao país vizinho a granel para serem embalados e, por vezes, adulterados com substâncias desconhecidas antes de entrarem clandestinamente em solo brasileiro.

Para além das fronteiras terrestres, a Receita Federal detectou a presença do mercado ilícito no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), com a apreensão de uma tonelada de medicamentos. Fábricas clandestinas também foram desmanteladas em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Alagoas.

Especialistas alertam que o consumo desses produtos ignoram riscos fatais, já que não há garantia sobre o armazenamento ou a composição das ampolas. A orientação das autoridades é rigorosa: apenas medicamentos registrados e adquiridos em farmácias autorizadas devem ser utilizados sob acompanhamento médico. A importação ilegal é um crime grave, com penas que variam de 10 a 15 anos de prisão.

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