FRAUDE MILIONÁRIA
Contas de 'influencers do tigrinho' são desativadas após operação milionária em Roraima
O Instagram desativou perfis de nove influenciadores digitais, alvos da Operação Mantus por divulgar o 'jogo do tigrinho'. O grupo é acusado de movimentar R$ 260 milhões em um esquema de apostas ilegais que ludibriava milhares de seguidores em busca de enriquecimento fácil.
Nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o Instagram desativou os perfis de nove influenciadores digitais alvos da Operação Mantus, deflagrada pela Polícia Civil para desmantelar um esquema de divulgação do fraudulento “jogo do tigrinho”. A medida, que atingiu 14 das 15 contas investigadas, marca um passo significativo no combate a fraudes online que exploram a vulnerabilidade de milhares de pessoas em busca de ganhos rápidos. Juntos, os perfis acumulavam mais de 1,4 milhão de seguidores e, segundo a investigação, movimentaram R$ 260 milhões em apenas dois anos.
A exclusão das contas, que ostentavam vidas de luxo com viagens internacionais e bens caros, visa interromper a captação de novas vítimas e limitar o alcance da fraude. Apenas um perfil, ligado à influenciadora Vick Paixão, permanece ativo, além da conta de Dione dos Santos, marido de Adrielly Araújo, que não integrava a lista de páginas de jogos, mas teve sua conta bancária usada para lavagem de dinheiro.
Perfis desativados revelam alcance do esquema
A lista de influenciadores que tiveram suas contas desativadas inclui:
- Patrik Adhan: perfil principal com 616 mil seguidores e conta reserva com 13,6 mil;
- Raniely Carvalho: perfil principal ‘Portal Raniely Carvalho’, com 173 mil seguidores, conta pessoal com 45,7 mil e conta reserva com 39,8 mil;
- Adrielly Araújo: conta principal com 148 mil e conta específica para divulgar jogos de azar, 18,3 mil;
- Laís Ramos: conta principal, com 179 mil seguidores;
- Victoria Paixão (Vick Paixão): conta reserva com 10,7 mil seguidores (principal ativa);
- Amanda Faria: conta principal com 35,3 mil seguidores;
- Gildázio Cardoso (Mulherzona): conta principal com 28,9 mil seguidores;
- Juliana Lima: conta principal com 27,7 mil seguidores;
- Vitória Reis: conta principal com pouco mais de 5 mil seguidores.
As contas ligadas ao empresário Ruissian Braga, que foi preso por posse irregular de munições, permaneceram ativas. A operação policial ocorreu na segunda-feira, 27 de abril de 2026, em Boa Vista e em Goiás, resultando na prisão de oito pessoas e no cumprimento de mandados de busca e apreensão. Os investigados são acusados de estelionato, lavagem de dinheiro e crimes contra o consumidor.
Contas ‘demo’ e vida de luxo para atrair vítimas
A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) lidera a investigação. Os criminosos utilizavam contas de demonstração do “jogo do tigrinho”, programadas para garantir vitórias, criando uma falsa sensação de lucros fáceis. Para atrair e enganar as vítimas, os suspeitos exibiam uma vida de ostentação nas redes sociais, com viagens a destinos exóticos como Dubai, Maldivas, China e Ibiza, carros importados e procedimentos estéticos caros. Essa estratégia, segundo a Polícia Civil, transmitia a ilusão de enriquecimento rápido, seduzindo pessoas a entrar no esquema.
As plataformas clandestinas de apostas, que operam sem registro na Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), remuneravam os influenciadores de diversas formas: por acesso aos links, por depósitos feitos pelas vítimas ou pelas perdas dos seguidores. Um valor fixo por postagem também compunha a renda dos investigados, incentivando a publicidade contínua do jogo ilegal.
Lavagem de dinheiro para ocultar lucros ilícitos
Após gerar altos lucros com as fraudes, o grupo ocultava os bens adquiridos por meio de empresas ou de terceiros para dificultar o rastreamento policial. A influenciadora Adrielly Araújo, identificada como a pessoa com maior volume financeiro no esquema, movimentou expressivos R$ 144 milhões entre 2023 e 2024, utilizando o dinheiro para comprar casas e veículos de luxo.
Outro investigado, Patrik Adhan, transferiu um carro de R$ 280 mil para o nome de sua própria empresa, na tentativa de despistar a polícia. Já Raniely Carvalho utilizava uma BMW avaliada em R$ 240 mil, registrada em nome do empresário Ruissian Braga, proprietário de uma loja de veículos e também alvo da operação, evidenciando a complexidade da rede de lavagem de dinheiro.
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