REVOLUÇÃO NA OBRA
Construção civil abraça inovação, impressão 3D e sustentabilidade para se reinventar
Setor adota novas tecnologias e soluções sustentáveis impulsionadas por lideranças e instituições de ensino para aumentar produtividade e competitividade.
A construção civil está passando por uma transformação profunda, impulsionada pela adoção de novas tecnologias, automação de processos e soluções voltadas à sustentabilidade. Essa mudança foi destacada por lideranças empresariais, pesquisadores e representantes de instituições de ensino e inovação durante o evento “Construção do Futuro: Manufatura Aditiva e Novas Tecnologias”. A discussão ocorreu nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, na Casa da Indústria, em Natal.
O encontro, promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RN), reuniu especialistas para debater os impactos da digitalização, da industrialização dos canteiros de obras e da manufatura aditiva — a tecnologia de impressão 3D capaz de criar componentes e até edificações inteiras.

Na abertura, Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) e do Conselho Regional do Senai-RN, enfatizou que o setor vive uma mudança estrutural que transcende a simples incorporação de ferramentas tecnológicas. "A construção civil vive uma revolução tecnológica", declarou, ressaltando que as transformações exigem novas abordagens em projeto, construção e atuação de mercado. Ele adicionou que o futuro do setor será moldado por "talento, conhecimento e inovação", e não apenas pelo avanço tecnológico.
Serquiz também sublinhou o papel crucial do Senai na capacitação profissional necessária para atender às novas exigências da indústria, com foco especial em competitividade e sustentabilidade.
O debate acontece em um cenário de rápidas evoluções. Empresas em diversos mercados já integram inteligência artificial, modelagem digital, automação industrial, sistemas construtivos modulares e impressão 3D. O objetivo é reduzir custos, minimizar desperdícios e otimizar a produtividade nas obras.
Um dos pontos altos do evento foi a palestra de Rafael Pileggi, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em microestrutura de materiais cimentícios, reologia e construção industrializada, o pesquisador apresentou os avanços na aplicação da manufatura aditiva ao setor.
Os estudos liderados por Pileggi exploram o desenvolvimento de concretos para impressão, processos de construção automatizados e tecnologias focadas na redução das emissões de carbono — um tema cada vez mais prioritário na indústria global.
Durante o evento, foi anunciado que um acordo de cooperação técnica entre o Senai-RN, o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), a USP e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está em fase final de formalização. A colaboração visa unir esforços em ciência, tecnologia e inovação para pesquisas em energia, materiais avançados e sustentabilidade aplicadas à construção civil.
Rodrigo Mello, diretor do Senai-RN e do ISI-ER, explicou que a parceria funcionará como uma plataforma contínua para acelerar a transferência de conhecimento entre universidades, centros de pesquisa e empresas. O objetivo é criar um ecossistema colaborativo para o desenvolvimento de soluções tecnológicas e a formação de profissionais aptos a operar em novos modelos produtivos. "As novas tecnologias são consequentes da necessidade do aumento de produtividade na indústria da construção civil e da dificuldade de contratação de profissionais qualificados. Existem diversos novos métodos construtivos e eles exigem novos conhecimentos de quem atua ou quer atuar no setor", explicou.
Sérgio Azevedo, presidente do Sinduscon-RN, compartilhou a visão, afirmando que inovação, produtividade e sustentabilidade não são mais meros diferenciais competitivos, mas requisitos essenciais para a permanência das empresas no mercado. "A gente entende que as empresas que não enxergarem que a inovação é uma questão de sobrevivência provavelmente não estarão no futuro, contribuindo, fazendo parte da sociedade", concluiu.
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