PUNIÇÃO POLÍTICA

Conselho de Ética suspende três deputados da oposição por quebra de decoro

Deputados de oposição suspensos, parlamentares no Congresso Nacional, cena política brasileira
Deputados de oposição são suspensos por ocupação da Mesa Diretora da Câmara

Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS) ficam afastados por dois meses após protesto em 6 de agosto de 2025. Decisão de 05 de maio de 2026 ainda cabe recurso.

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, a suspensão por dois meses dos mandatos dos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS). A medida surge como resposta à quebra de decoro parlamentar, após a participação dos três na ocupação da Mesa Diretora da Casa durante um protesto em 6 de agosto de 2025. A decisão, que ainda pode ser revertida, impacta diretamente a atuação dos parlamentares e seus gabinetes, gerando incerteza sobre o futuro de suas equipes e a representatividade de seus eleitores no Congresso Nacional.

A deliberação ocorre quase nove meses após o episódio e é resultado de uma articulação conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), junto a aliados. À época, a ocupação da Mesa Diretora — local utilizado pelo presidente da Câmara para conduzir as sessões plenárias — foi interpretada internamente como um desgaste à autoridade de Motta no comando da Casa.

Os integrantes do conselho aprovaram, por maioria, o parecer apresentado pelo relator do caso, deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE), que havia sugerido a suspensão dos mandatos na semana passada. É importante notar que, apesar da aprovação no colegiado, a decisão ainda poderá ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), caso haja recurso. A palavra final caberá, em última instância, ao plenário da Câmara.

A sessão do Conselho de Ética se estendeu por mais de oito horas e foi marcada por intensos embates entre parlamentares da oposição e deputados alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já no fim da reunião, por volta das 20h, uma confusão envolvendo o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) e o advogado Jeffrey Chiquini interrompeu momentaneamente os trabalhos.

Enquanto discursava, Chico Alencar afirmou que o advogado estaria ironizando sua fala ao rir durante a sessão, acusação negada por Chiquini.

A votação do parecer só foi possível após o cancelamento da sessão deliberativa do plenário da Câmara prevista para esta terça-feira, 05 de maio de 2026. A medida abriu espaço regimental para que o Conselho de Ética pudesse manter a reunião até a conclusão da análise. Pelo regimento interno da Câmara, não é permitido realizar votações em comissões simultaneamente à ordem do dia do plenário.

Durante toda a sessão, os deputados alvo do processo utilizaram a tribuna para contestar as acusações e classificaram a punição como uma forma de “perseguição” política e “injustiça”. Em um dos momentos mais emocionados da sessão, Zé Trovão chegou a chorar ao mencionar familiares e integrantes de sua equipe de gabinete, enfatizando o impacto humano da decisão.

Segundo o parlamentar, a suspensão também afetará diretamente os profissionais contratados por seu gabinete, gerando um cenário de incerteza para dezenas de famílias. Em seu discurso, afirmou que “está sendo o pior dia da minha vida”, sublinhando a gravidade da sanção em sua trajetória pessoal e profissional.

As representações contra os três deputados têm origem nos acontecimentos do dia 6 de agosto de 2025, quando parlamentares da oposição realizaram um protesto em defesa da aprovação da anistia. Na ocasião, os deputados ocuparam a Mesa Diretora e impediram que Hugo Motta assumisse a condução da sessão plenária.

No parecer aprovado, Moses Rodrigues argumenta que a punição é necessária para demonstrar que o Parlamento não admite esse tipo de comportamento, pois a dignidade da Casa e o respeito às instituições devem prevalecer. Segundo o relator, a atitude dos deputados não contribuiu para o andamento do processo legislativo, mas teve como objetivo principal interrompê-lo.

Conforme os documentos analisados pelo conselho, Marcos Pollon teria sentado na cadeira destinada à presidência da Câmara, impedindo o retorno de Hugo Motta ao local. Marcel Van Hattem, segundo o relatório, também teria ocupado um dos assentos da Mesa Diretora para dificultar o acesso do presidente da Casa.

Já no caso de Zé Trovão, a acusação aponta que ele teria impedido fisicamente a subida de Hugo Motta à Mesa Diretora, formando uma barreira de acesso.

Os três parlamentares negam qualquer irregularidade. Zé Trovão sustenta que a versão apresentada na representação não corresponde aos fatos ocorridos naquele dia. Marcel Van Hattem afirma que a ocupação fez parte de um protesto político contra o que considera descumprimento de acordos no Congresso Nacional e argumenta que a manifestação estaria protegida pelo direito de reunião e pelos instrumentos de obstrução parlamentar.

Marcos Pollon, por sua vez, alega que sua atuação representou apenas um gesto político amparado pela imunidade parlamentar. Segundo ele, não houve intenção de impedir o funcionamento da Câmara, uma vez que a interrupção dos trabalhos teria ocorrido apenas de forma momentânea.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário