VETO PODE SER DERRUBADO

Congresso Nacional articula derrubada de veto de Lula e pode liberar doações em ano eleitoral

Fachada do Congresso Nacional em Brasília.
Congresso Nacional pode derrubar veto de Lula à LDO 2026.

Decisão sobre veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 pode flexibilizar regras eleitorais e permitir doações em campanha. Votação prevista para 21 de maio de 2026.

O Congresso Nacional se prepara para analisar a derrubada de um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. A decisão, prevista para esta quinta-feira, 21 de maio de 2026, pode flexibilizar regras eleitorais e permitir doações durante o período de campanha, afetando diretamente a dignidade do processo democrático ao potencialmente criar desigualdades e influenciar o livre arbítrio do eleitor. Essa medida impacta a forma como candidatos podem se relacionar com o eleitorado e como recursos podem circular em anos eleitorais.

A votação inclui dispositivos que autorizam a transferência de bens, recursos financeiros e benefícios, como cestas básicas, tratores e ambulâncias, durante o período eleitoral. Na prática, a medida afeta regras do chamado “defeso eleitoral”, que restringe esse tipo de ação nos três meses que antecedem as eleições. O texto estabelece que essas doações não serão consideradas irregularidades eleitorais, desde que haja contrapartidas por parte dos municípios ou entidades beneficiadas, como cessão de terrenos ou participação financeira.

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, incluiu a análise dos vetos na pauta após articulações com prefeitos durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília. As negociações também envolvem lideranças do Legislativo e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Apesar de o governo ter apoiado a proposta durante a tramitação da LDO, o presidente Lula vetou o dispositivo, alegando questões de inconstitucionalidade e interesse público. Agora, a base aliada no Congresso articula a derrubada do próprio veto. A decisão é passível de recurso, cabendo ao Congresso Nacional a palavra final.

Outro ponto em discussão é a liberação de repasses federais para municípios com até 65 mil habitantes que estejam inadimplentes, o que pode permitir o retorno de convênios e transferências mesmo em casos de pendências fiscais. Também está na pauta a flexibilização de recursos para obras em rodovias estaduais e municipais e investimentos em infraestrutura hidroviária, ampliando o uso de verbas federais em áreas fora da competência direta da União.

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