PISO GARANTIDO
Congresso avança em novo reajuste para professores
MP altera Lei do Piso e assegura aumento de 5,40%, elevando valor para R$ 5.130,63. Votação urgente até 1º de junho.
O Congresso Nacional, em um passo crucial para a valorização dos educadores, instalou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, uma comissão mista. Este colegiado tem a missão de analisar a medida provisória que redefine a Lei do Piso Salarial dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, estabelecendo uma nova e vital fórmula para o reajuste anual da categoria. A iniciativa busca corrigir defasagens jurídicas e garantir que os salários dos professores acompanhem, no mínimo, a inflação, assegurando dignidade e poder de compra a milhões de profissionais que moldam o futuro do país.
O tempo urge, pois a MP exige votação nos plenários da Câmara e do Senado até 1º de junho de 2026, sob o risco iminente de perder sua validade. O prazo inicial de 60 dias se encerrou em 2 de abril e foi automaticamente prorrogado por mais 60 dias. Após o 45º dia de vigência, a MP entra em regime de urgência, trancando a pauta da Casa em que estiver tramitando, o que sublinha a necessidade de celeridade no processo.
O colegiado será presidido pelo deputado Idilvan Alencar (PDT-CE), e a relatoria ficará a cargo da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), figuras-chave na construção de um consenso para esta pauta tão sensível e de impacto nacional.
O que está em jogo para os educadores?
Publicada no Diário Oficial da União em 22 de janeiro, a medida provisória já assegura, para este ano, um aumento de 5,40% no piso nacional. Com isso, o valor-base salta de R$ 4.867,77 para um patamar estimado em R$ 5.130,63, representando um ganho real de 1,50% acima da inflação de 3,90% medida pelo INPC de 2025. Este incremento é um sopro de alívio e reconhecimento para a categoria, que há tempos anseia por uma remuneração justa.
O cerne da mudança reside em dois pilares fundamentais. Primeiramente, uma correção jurídica essencial: a Lei do Piso, em vigor desde 2008, fazia referência a preceitos constitucionais revogados pela Emenda Constitucional nº 108/2020, que tornou o Fundeb permanente. Essa desatualização era frequentemente utilizada por estados e municípios para contestar o cumprimento da norma, fragilizando a garantia do piso e a estabilidade financeira dos profissionais.
O segundo pilar, e o mais aguardado por professores e gestores públicos, é a substituição da fórmula de cálculo do reajuste anual. Sob a regra anterior, atrelada exclusivamente ao crescimento do valor mínimo por aluno do antigo Fundeb, o reajuste previsto para janeiro de 2026 seria de um irrisório 0,37%, muito abaixo da inflação do período. Uma situação que, como argumentou o ministro da Educação, Camilo Santana, na exposição de motivos da MP, “comprometeria o direito constitucional à preservação do poder de compra das remunerações”, justificando a urgência da medida provisória.
Para blindar os educadores contra essas flutuações extremas, o novo cálculo estabelece um piso e um teto: o reajuste não poderá ser inferior ao INPC — assegurando, no mínimo, a reposição inflacionária — nem superior à variação nominal da receita do Fundeb dos dois anos anteriores, incluindo as complementações da União. A atualização acontecerá anualmente, por ato do Ministro da Educação, até o último dia útil de janeiro, com efeitos retroativos ao início do mês. Esta nova abordagem traz mais previsibilidade e segurança financeira à categoria, essencial para o planejamento de vida e carreira.
Impacto fiscal e sustentabilidade da medida
De acordo com a exposição de motivos da MP, o governo projeta um impacto fiscal de R$ 6,4 bilhões em 2026, caso a nova regra seja adotada por todos os entes federativos, em comparação com os gastos da fórmula antiga. No entanto, o mesmo documento defende que esse montante é absorvido pelo robusto crescimento das receitas do Fundeb, que dispararam de R$ 169,2 bilhões em 2020 para R$ 370,3 bilhões em 2026, um aumento nominal de 120%. A parcela destinada aos profissionais da educação, que corresponde a no mínimo 70% dos recursos do fundo, teria crescido 114,4% no mesmo intervalo.
Somente entre 2025 e 2026, a complementação da União ao Fundeb deve saltar em R$ 10 bilhões, um acréscimo de 16,8%, conforme dados do Ministério da Educação. Estes números reforçam a sustentabilidade da medida e a viabilidade do compromisso com a valorização dos professores, sem desequilibrar as contas públicas.
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