ECONOMIA EM ALERTA
Confiança empresarial despenca e acende alerta econômico no Brasil
FGV: confiança empresarial desaba e gera preocupação. Índice cai 1,0 ponto em abril, para 90,6 pontos, a terceira queda consecutiva. Conflito no Oriente Médio agrava incerteza.
Nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) divulgou um cenário desafiador para o ambiente de negócios no Brasil. O Índice de Confiança Empresarial (ICE) registrou uma terceira queda consecutiva em abril, recuando 1,0 ponto para 90,6 pontos. A baixa, que reflete a crescente preocupação das empresas com a inflação, os juros e o prolongamento do conflito no Oriente Médio, acende um alerta sobre o futuro da economia e seu impacto direto na capacidade de investimento e geração de empregos no país.
A métrica de médias móveis trimestrais do ICE também confirmou o movimento de retração, apresentando um recuo de 0,6 ponto. Segundo Aloisio Campelo Jr., pesquisador do Ibre/FGV, essa sequência de quedas sublinha um período de incerteza crescente.
“A confiança empresarial recuou pelo terceiro mês consecutivo em abril, refletindo a piora das expectativas, enquanto a avaliação da situação atual dos negócios permanece relativamente estável”, detalhou Campelo Jr. Ele acrescentou que “ao ampliar a incerteza sobre a trajetória da inflação e dos juros, o conflito no Oriente Médio segue como o principal fator de preocupação das empresas”.
Os dados revelam que o Índice de Situação Atual Empresarial (ISA-E) teve uma leve baixa de 0,1 ponto, fechando em 93,2 pontos. Contudo, a maior preocupação reside no Índice de Expectativas Empresariais (IE-E), que encolheu 1,9 ponto, atingindo 88,1 pontos – indicando um pessimismo considerável em relação aos próximos meses.
Dentro do ISA-E, o indicador de satisfação com a situação atual dos negócios mostrou um aumento de 0,7 ponto, chegando a 92,1 pontos. No entanto, o indicador de demanda no momento presente registrou queda de 0,8 ponto, para 94,4 pontos, sugerindo uma desaceleração real no consumo e na procura por produtos e serviços.
As expectativas para o futuro reforçam o cenário de apreensão. O otimismo com a demanda nos três meses seguintes caiu 2,7 pontos, fixando-se em 88,0 pontos, e as perspectivas para a evolução dos negócios seis meses à frente recuaram 1,2 ponto, para 88,3 pontos. “Embora a queda do ICE nos últimos meses tenha sido moderada, a persistência do conflito tende a manter os níveis de confiança em patamares baixos por mais tempo”, alertou o pesquisador Campelo Jr.
A retração da confiança foi observada em três dos quatro grandes setores da economia em abril: a Indústria sofreu uma queda de 0,8 ponto; a Construção, de 1,0 ponto; e os Serviços, de 0,6 ponto. Somente o Comércio registrou um leve aumento de 1,6 ponto. No total, apenas 35% dos 49 segmentos pesquisados reportaram alta da confiança no período, cuja coleta de dados ocorreu entre os dias 2 e 27 de abril.
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