INDÚSTRIA EM ALERTA

Confiança da indústria do RN perde força, mas segue acima da média nacional

Gráfico da confiança da indústria do Rio Grande do Norte.
Confiança da indústria do RN em junho de 2026.

Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) cai 2,6 pontos em junho, mas setor potiguar ainda supera cenário brasileiro e nordestino.

A confiança dos industriais do Rio Grande do Norte diminuiu em junho, apesar de se manter em patamar positivo. A decisão de reavaliação de perspectivas ocorre após o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) cair 2,6 pontos em relação a maio, passando de 55,6 para 53,0 pontos. O levantamento é da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) e a redução é relevante porque o indicador, mesmo em queda, permanece acima dos 50 pontos – marca que separa confiança de desconfiança. Essa cautela empresarial reflete um impacto direto na avaliação do ambiente de negócios e nas projeções de crescimento para o segundo semestre.

O cenário potiguar se destaca em relação ao nacional. No Brasil, o Icei recuou de 47,2 para 46,7 pontos, acumulando 18 meses de pessimismo. Já no Nordeste, o índice caiu de 51,9 para 51,5 pontos, mantendo-se, contudo, em território de confiança. A diferença é significativa e aponta para uma resiliência do empresariado potiguar, embora sob observação.

No Rio Grande do Norte, o resultado de junho de 2026 ficou 0,8 ponto abaixo do registrado no mesmo mês de 2025 (53,8 pontos) e 1,3 ponto inferior à média histórica estadual (54,3 pontos). Essa leve queda, embora não signifique desconfiança, sinaliza um ajuste de rota.

A redução da confiança foi impulsionada pela avaliação das condições atuais e pelas expectativas futuras. O índice de Condições Atuais caiu de 49,3 para 47,6 pontos, indicando uma percepção de piora no ambiente de negócios nos últimos seis meses. Essa avaliação afeta diretamente a confiança do trabalhador e a percepção de estabilidade.

O índice de Expectativas, que projeta os próximos meses, também recuou, de 58,7 para 55,7 pontos. Apesar de ainda apontar para um segundo semestre positivo, o recuo sugere que os empresários projetam um ritmo de atividade mais moderado, o que pode ter implicações no planejamento de contratações e investimentos.

As diferenças são notáveis quando se considera o porte das empresas. As pequenas indústrias registraram a maior queda, com o ICEI despencando de 53,2 para 43,3 pontos. Esse movimento devolveu o segmento ao campo da desconfiança, após um breve período de otimismo. Para esses empreendedores, a incerteza pode comprometer a capacidade de investimento e a geração de empregos.

Em contraste, médias e grandes empresas mantiveram a confiança em 56,3 pontos. Esse grupo continua demonstrando percepção mais favorável sobre a atividade industrial, um indicativo de maior resiliência e capacidade de absorção de choques econômicos.

Na comparação com junho do ano passado, as pequenas empresas perderam 3,9 pontos de confiança, enquanto as médias e grandes avançaram 0,3 ponto. Essa disparidade reforça a vulnerabilidade do pequeno empreendedor diante de flutuações econômicas.

A construção civil registrou leve recuo, com o ICEI passando de 50,8 para 50,5 pontos, permanecendo ligeiramente acima da linha de confiança. Já as indústrias extrativas e de transformação tiveram uma queda mais acentuada, de 59,5 para 54,9 pontos, uma redução de 4,6 pontos em um mês. Apesar da diminuição, o setor mantém um patamar de confiança, mas com menor intensidade.

Anualmente, ambos os segmentos registraram pequenas reduções: 0,4 ponto na construção e 0,5 ponto nas extrativas e de transformação, indicando uma tendência de cautela generalizada, embora com intensidades distintas.

Realizada entre 1º e 12 de junho, a sondagem da Fiern confirma que os industriais potiguars mantêm visão positiva, mas com maior cautela. O enfraquecimento das condições correntes e a revisão das expectativas para os próximos meses sinalizam um cenário de desaceleração da confiança, em linha com outras regiões do País, mas o Rio Grande do Norte segue com indicadores superiores à média nacional, demonstrando a importância de monitorar de perto esses sinais para garantir o desenvolvimento sustentável.

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