INDÚSTRIA EM ALERTA

Confederação Nacional da Indústria projeta queda nas exportações

Navio de carga em um porto, representando as exportações.
Setor industrial vê perda nas exportações.

Pesquisa da CNI aponta retração nas vendas externas nos próximos seis meses, influenciada pela ameaça de tarifas dos Estados Unidos e preocupação com o ambiente econômico.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira, 25/06/2026, que o setor industrial passou a projetar uma queda nas exportações nos próximos seis meses. Esta previsão marca um momento inédito em 2026 e reflete a crescente apreensão dos empresários diante do cenário externo, em especial após a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A decisão, embora ainda não confirmada, impacta diretamente a confiança e as expectativas dos agentes econômicos. O indicador de expectativa de quantidade exportada registrou uma queda, passando de 51,2 pontos em maio para 49,7 pontos em junho. Este recuo é significativo, pois o índice cruzou a linha de 50 pontos, que separa projeções de crescimento de retração. É a primeira vez no ano que o indicador sinaliza uma redução nas vendas externas da indústria. A relevância dos Estados Unidos como principal destino dos produtos manufaturados brasileiros torna a possibilidade de barreiras comerciais uma influência direta no sentimento dos empresários. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destacou a importância da situação: “Embora a taxação proposta ainda não esteja confirmada, a possibilidade de isso ocorrer mexe com as expectativas dos empresários em relação às exportações, uma vez que os Estados Unidos são o principal destino dos produtos industriais brasileiros”. A incerteza gerada por essa medida pode afetar a capacidade de planejamento e a competitividade do setor. A deterioração das expectativas não se limitou ao mercado externo. Os índices relacionados à demanda doméstica e à compra de insumos também apresentaram queda em junho. O indicador de expectativa de demanda por produtos industriais caiu de 53,4 para 52,7 pontos, e o índice de compra de matérias-primas recuou de 52,6 para 51,7 pontos. Apesar da moderação, ambos os indicadores ainda se mantêm acima dos 50 pontos, sugerindo que os empresários preveem crescimento da atividade, mas em um ritmo mais lento. A cautela se estendeu aos planos de investimento, com o índice de intenção de investimento recuando 1,3 ponto, de 54,8 para 53,5 pontos. Este resultado interrompe a recuperação observada em maio, mas a intenção de investir ainda permanece acima da média histórica, indicando uma confiança relativa, ainda que prudente, no futuro do setor. Em contraste, as expectativas para o mercado de trabalho mostraram estabilidade. O índice de expectativa de número de empregados variou minimamente, de 50,4 para 50,5 pontos, sugerindo que as empresas não preveem mudanças drásticas em seus quadros de pessoal no curto prazo, mesmo diante das incertezas externas. No desempenho recente da atividade industrial, a produção apresentou um crescimento limitado em maio, com o índice de evolução da produção industrial atingindo 48,9 pontos. Apesar de uma melhora em relação a abril, o indicador permaneceu abaixo dos 50 pontos, sinalizando retração. Nos primeiros cinco meses de 2026, a indústria registrou expansão apenas em março. O mercado de trabalho industrial acompanhou essa tendência de retração, com o índice de evolução do número de empregados caindo para 48,4 pontos, indicando uma redução no quadro de trabalhadores. Este indicador permanece abaixo dos 50 pontos há 16 meses consecutivos, evidenciando um ajuste prolongado no emprego industrial. A utilização da capacidade instalada, por sua vez, mostrou uma leve recuperação, atingindo 69% em maio. Contudo, o nível de ocupação das fábricas ainda está abaixo do registrado no mesmo período de 2025, indicando a existência de capacidade ociosa. Em relação aos estoques, o índice que compara os estoques efetivos com os planejados avançou para 49,4 pontos. Este resultado aproxima os estoques do patamar considerado adequado pelas empresas, embora ainda permaneçam ligeiramente abaixo do nível desejado.

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