PERSPECTIVAS ECONÔMICAS 2026

Confederação Nacional da Indústria mantém PIB em 2% e projeta Selic mais alta

Robô industrial em operação em fábrica.
O setor industrial brasileiro busca equilíbrio em meio às novas projeções econômicas da CNI.

Entidade eleva estimativas da indústria e do agro, mas revisa inflação para 5% e prevê juros em 13,75% até o fim do ano.

A Confederação Nacional da Indústria manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2% para 2026, amparada pela força da indústria extrativa e do agronegócio. O diagnóstico consta no Informe Conjuntural do 2º trimestre, divulgado nesta 4ª feira (22.jul.2026), que traça um cenário de resiliência econômica frente a desafios fiscais e pressões inflacionárias.

O impacto dessas projeções reflete diretamente no cotidiano das famílias e no planejamento das empresas brasileiras. Embora o mercado de trabalho apresente desempenho favorável, o alto endividamento das famílias e a persistência de taxas de juros elevadas restringem o poder de compra e limitam uma recuperação mais robusta da atividade econômica.

Para o setor produtivo, a CNI revisou para cima o desempenho esperado para a indústria, de 1,6% para 2,1%, com destaque para a extração de petróleo. No agronegócio, a estimativa passou de 1,1% para 1,8%, alavancada pela perspectiva de safra recorde de soja. Contudo, o setor de serviços sofreu revisão negativa, caindo de 2,1% para 1,9% devido ao custo do crédito.

A inflação também preocupa. A estimativa para o IPCA foi elevada para 5%, pressionada pelo custo de combustíveis e alimentos. Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, destacou que esse quadro restringe a flexibilidade do Banco Central, levando a entidade a prever a Selic em 13,75% ao final de 2026.

No âmbito fiscal, o cenário aponta para um deficit de R$ 55,3 bilhões, com a dívida bruta atingindo 82% do PIB. Externamente, as incertezas decorrentes da guerra no Oriente Médio e possíveis novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros permanecem como riscos monitorados para a balança comercial.

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