IMPACTO NA INDÚSTRIA

Confederação Nacional da Indústria alerta para risco de 109 mil demissões

Dispositivo exibindo interface de compras online com ícones de importação
Plataformas digitais de compras internacionais em dispositivo eletrônico — Foto: Mariane Chianezi

A Confederação Nacional da Indústria estima prejuízo de R$ 21,8 bilhões no setor caso a tributação sobre importações de até US$ 50 seja revertida.

A possível revogação da alíquota de 20% sobre importações de até US$ 50 gera preocupação no setor produtivo, conforme alerta a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade projeta que a alteração pode colocar em risco 109 mil empregos, além de resultar em uma perda de R$ 21,8 bilhões para a economia nacional.

O alerta foi emitido por meio de uma nota técnica divulgada na quarta-feira (26/08/2026). Segundo a CNI, a desoneração dessas transações, que fazem parte do Programa Remessa Conforme, intensificaria a concorrência desleal entre produtos estrangeiros e itens manufaturados no Brasil, fragilizando a produção interna.

O cenário de incerteza deve ser debatido no Congresso. Um acordo costurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estabelece que uma comissão mista seja instalada na terça-feira (01/09/2026) para analisar a medida provisória (MP) que rege a cobrança.

A urgência se deve ao prazo legislativo: a MP que trata da taxa perde validade em 08/09/2026 se não for votada, o que alteraria automaticamente o status da cobrança. Desde maio, o tema é objeto de disputa, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF), onde a CNI questiona a derrubada da taxação.

Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a cada R$ 1 gasto em encomendas internacionais, o Brasil deixa de movimentar R$ 3,11 na economia doméstica. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reforçou o coro crítico, defendendo que políticas de longo prazo sejam priorizadas para proteger o emprego local.

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