EUROPA BUSCA AUTONOMIA

Comissão Europeia anuncia plano para reduzir dependência tecnológica

Ursula von der Leyen discursando sobre o plano de soberania tecnológica da Europa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou o plano de soberania tecnológica em Bruxelas.

Nova Lei busca barrar provedores de nuvem americanos e impulsionar IA e chips próprios. A medida visa proteger dados críticos e interesses do continente.

A Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (3), um plano ambicioso para alcançar a soberania tecnológica do continente. O pacote de medidas visa reduzir a dependência em áreas cruciais como chips, computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e código aberto. "Não podemos nos dar ao luxo de depender de outros para as tecnologias que mantêm nossos hospitais funcionando, nossas redes de energia estáveis e nossos serviços seguros", declarou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Ela enfatizou que a iniciativa é fundamental para "proteger nossos cidadãos, defender nossos interesses e fazer nossas próprias escolhas". Um dos pilares do plano é o Cloud and AI Development Act (Lei de Desenvolvimento de Nuvem e IA). Esta legislação propõe barrar provedores de nuvem americanos de licitações públicas europeias para dados considerados críticos. A medida se justifica pela existência de leis nos EUA que permitem ao governo americano exigir acesso aos dados dessas companhias, independentemente de onde estejam armazenados, levantando preocupações sobre a soberania dos dados europeus. Paralelamente, a Agência da União Europeia para a Cibersegurança está em negociações para obter acesso ao Mythos, um modelo de IA desenvolvido pela americana Anthropic, utilizado para identificar falhas de segurança. A possível saída dessa ferramenta dos EUA e do Reino Unido representa um avanço, mas levanta questões sobre o acesso que a Anthropic teria aos sistemas europeus em contrapartida, algo que o plano busca mitigar. A necessidade de autonomia tecnológica se reflete também no campo de defesa. Após um ataque russo recorde à Ucrânia na madrugada de 2 de junho, a eficácia de interceptadores como o PAC-3, fabricado pela Lockheed Martin e parte do sistema Patriot, contra mísseis hipersônicos Zircon foi evidenciada. Embora a Europa possua o sistema franco-italiano SAMP/T NG, sua produção ainda não atende à demanda e a versão mais recente carece de testes em combate. A Europa produz menos de 10% dos semicondutores globais e busca triplicar a capacidade de data centers em cinco a sete anos. O plano esbarra em desafios como energia, licenças e escassez de mão de obra especializada. A Comissão Europeia defende que a iniciativa não é protecionista, mas visa garantir concorrência justa, embora haja alertas sobre o impacto na indústria e a necessidade de investimento em capacidade instalada para alcançar a soberania desejada. Em outro cenário, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris alertou em seu relatório Economic Outlook sobre a desaceleração do crescimento global e os impactos da guerra no Oriente Médio e novas tarifas americanas. O cenário projeta crescimento global caindo de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026. Adicionalmente, a Noruega avalia rever sua posição de não adesão à União Europeia. O chanceler Espen Barth Eide indicou que o cenário global, marcado por tensões comerciais e divisões geopolíticas, torna a integração mais atraente para garantir segurança e influência.

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