CRISTALIZAÇÃO POLÍTICA EXTERNA

Abelardo de la Espriella restringe ajuda internacional após terremotos na Colômbia

Equipes de resgate em escombros após terremoto na Colômbia
Após os terremotos, governo colombiano define lista restrita de países para apoio em resgate.

Governo autoriza apenas Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel para resgates, sinalizando alinhamento ideológico e prioridades do novo mandato.

O governo do presidente Abelardo de la Espriella decidiu restringir a recepção de ajuda humanitária internacional, focada em equipes de resgate, a apenas quatro nações: Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel. A medida foi comunicada nesta quarta-feira (12/8) pelo diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), David Tamayo, após os terremotos que atingiram o país.

A decisão ocorre em um momento de extrema fragilidade social, após um sismo de magnitude 7,4 abalar a região próxima a San José del Palmar, no departamento de Chocó, na última segunda-feira (10/8). Até a noite desta quinta-feira (13/8), os registros oficiais contabilizavam mais de 270 vítimas fatais. A restrição impacta diretamente a celeridade das buscas por sobreviventes, limitando o suporte estrangeiro a países que mantêm afinidade ideológica com a atual gestão.

Embora a administração negue o viés político, o chanceler Omar Bula Escobar argumenta que a escolha pauta-se no cumprimento de protocolos internacionais de resgate, como os do INSARAG. Contudo, a seleção exclui outras nações dispostas a enviar mantimentos e equipes de suporte, como o Brasil, o que levanta questionamentos sobre a priorização da eficácia do socorro frente ao alinhamento diplomático.

A manobra reflete a guinada à direita consolidada por Abelardo de la Espriella desde que assumiu a Presidência, em 7 de agosto, rompendo com a política externa de Gustavo Petro. Em resposta à crise, o mandatário decretou emergência econômica na quarta-feira (12/8) e anunciou a criação do Fundo Milagro, visando a reconstrução de infraestruturas críticas como hospitais e escolas, em um cenário de pressão fiscal onde o déficit atingiu 6,4% do PIB em 2025.

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