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Comissão do Senado aprova projeto que protege agências reguladoras de bloqueios no orçamento

Fachada de um prédio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Fachada de um prédio da Anvisa.

Projeto altera Lei de Responsabilidade Fiscal para impedir contingenciamentos no orçamento das agências reguladoras. Governo se opõe à medida.

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou, nesta terça-feira, 16/06/2026, um projeto de lei complementar que visa proteger o orçamento das agências reguladoras contra bloqueios. A iniciativa, que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), impede que despesas dessas instituições sejam contingenciadas, por exemplo, para o cumprimento de metas fiscais. A decisão impacta diretamente a autonomia e a capacidade de atuação dessas entidades, garantindo a continuidade de suas operações essenciais.

Parlamentares aprovaram um requerimento de urgência para que a proposta avance diretamente para o plenário do Senado, dispensando a análise pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A proposta assegura que a proteção orçamentária abranja todas as atividades das agências, eliminando a necessidade de vincular a salvaguarda a fontes de financiamento específicas. A justificativa apresentada é que a distinção entre atividades-fim e meio gera controvérsias e que a maior parte das despesas, incluindo capacitação, é custeada pelo orçamento ordinário.

O governo se manifestou contra a medida, argumentando que a proibição de contingenciamento engessa a margem discricionária do gestor público. Segundo o Executivo, recursos "livres" já representam uma parcela pequena do orçamento, e a blindagem criaria um congelamento orçamentário indesejado.

Imagem ilustrativa de Rogério, relator do projeto.

Durante a sessão, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) solicitou vista do projeto, expressando preocupações sobre o impacto da proposta. Após um acordo, Laércio Oliveira, que presidia a sessão para a leitura do parecer de Rogério, concedeu vistas coletivas até às 14h. O plano é realizar uma audiência pública com os diretores das agências antes da votação final.

Já na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, o Congresso havia aprovado uma norma para impedir o congelamento de despesas de regulação e fiscalização das agências. Contudo, o presidente Lula vetou o trecho. Laércio Oliveira e Rogério afirmaram que irão articular com Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, a derrubada desse veto em futura sessão conjunta entre Câmara e Senado, buscando consolidar a proteção orçamentária às agências.

A decisão, caso confirmada, terá um impacto significativo na capacidade de planejamento e execução das atividades regulatórias e fiscalizatórias, essenciais para a estabilidade de diversos setores da economia e para a proteção do consumidor.

Fachada de um prédio da Anvisa. — Foto: Divulgação/Ascom

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