MINISTRO DE LULA REJEITADO
Comissão da Câmara aprova moção de repúdio a ministro de Lula; Ministério das Relações Exteriores é criticado
Decisão da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados repudia o Ministério das Relações Exteriores. Ação é motivada por críticas do Itamaraty a parlamentares.
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou um requerimento que manifesta moção de repúdio ao Ministério das Relações Exteriores, comandado pelo chanceler Mauro Vieira. A decisão ocorreu em sessão nesta quarta-feira, 01/07/2026. O pedido, apresentado pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e subscrito pelo deputado Sargento Fahur (PL-PR), visa criticar a postura do Itamaraty em comunicados recentes que classificaram parlamentares como "traidores da pátria".
O relator fundamentou o requerimento em um comunicado onde o Itamaraty criticou indivíduos que teriam atuado junto aos Estados Unidos em prol de uma nova tarifa de 25% sobre importações brasileiras. A comissão reprova o direcionamento crítico do ministério a parlamentares, alegando a promoção de uma "agenda ideológica em prejuízo ao rigor técnico e à negociação pragmática" nas relações com os Estados Unidos.
O requerimento aprovado cita que, após um relatório de Washington, a comunicação do Palácio do Planalto buscou associar a possível tarifa ao senador Flávio Bolsonaro (PL). "Em claro desacordo com os padrões da diplomacia profissional, as notas oficiais do Itamaraty têm empregado linguagem inadequada, incompatível com a dignidade e o decoro exigidos da chancelaria brasileira, comprometendo sua credibilidade institucional", declarou Luiz Philippe de Orleans e Bragança.
A moção de repúdio foi aprovada com um único voto contrário, do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Durante a sessão, Chinaglia apresentou uma nota do Ministério das Relações Exteriores na qual o órgão defende suas ações. "O país conduz suas relações exteriores com base no diálogo, na negociação e no respeito ao direito internacional, mas não abdica da prerrogativa soberana de defender suas posições quando confrontado com medidas que considere contrárias a seus interesses", afirmou o ministério.
O Itamaraty também mencionou a promoção de encontros bilaterais entre os presidentes Lula e Donald Trump, e entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de estado americano, Marco Rubio, como medidas para a resolução do conflito. A nota finaliza: "A caracterização dessa atuação como militante ou ideologizado desconsidera o fato de que os instrumentos utilizados foram exatamente aqueles reconhecidos e utilizados por estados soberanos para proteger seus interesses comerciais e econômicos perante medidas unilaterais adotadas por outros países."
*Sob supervisão de Lucas Schroeder
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