EMPLO FORMAL EM ALERTA

Comércio e Serviços seguram emprego no Rio Grande do Norte em maio, mas saldo é o pior desde 2020

Representação de empregos formais no Rio Grande do Norte.
Emprego formal no Rio Grande do Norte em maio de 2026.

Setores de Comércio e Serviços criaram 546 postos, sustentando o resultado geral do estado, que registrou saldo positivo de apenas 109 vagas em maio. O desempenho é o pior para o mês desde o início da pandemia.

O mercado de trabalho formal no Rio Grande do Norte encerrou maio de 2026 com um saldo positivo de apenas 109 empregos. Essa marca, resultado de 19.380 admissões e 19.271 desligamentos, foi impedida de ser ainda pior pelos setores de Comércio e Serviços. As atividades ligadas ao consumo familiar e à prestação de serviços essenciais foram responsáveis pela maior parte das contratações no período, compensando parcialmente as perdas na agropecuária e na construção civil. A análise é baseada em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Instituto Fecomércio RN (IFC).

Apesar de representar uma recuperação em relação a abril, quando o estado fechou 156 vagas, o desempenho de maio de 2026 foi o pior para este mês desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020. O Rio Grande do Norte ficou na penúltima posição do Nordeste em geração de empregos formais, superando apenas Alagoas. Comparado a maio de 2025, quando foram criadas 2.159 vagas, o saldo atual representa apenas 5% do registrado no ano anterior.

Gráfico mostrando a geração de empregos formais no Rio Grande do Norte, com destaque para os setores de Comércio e Serviços.

Os setores de Comércio e Serviços, em conjunto, geraram 546 postos de trabalho em maio: 146 no comércio e 400 nos serviços. Este volume representa mais de cinco vezes o saldo total do estado. A Fecomércio RN avalia que o resultado evidencia um mercado de trabalho segmentado, com atividades impulsionadas pelo consumo das famílias e outras mais sensíveis a flutuações sazonais ou de setores como a agroindústria. As áreas que mais contrataram incluem saúde (275 vagas), supermercados (123), comércio de veículos e peças (98), educação (61), armazenamento e logística (51) e farmácias (45).

Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN, destacou a relevância do setor terciário: “O setor terciário voltou a exercer um papel decisivo para a economia potiguar, demonstrando capacidade de sustentar a atividade e a geração de empregos mesmo em um cenário de desaceleração em outras áreas”.

Em contrapartida, a agropecuária eliminou 244 postos e a construção civil registrou um déficit de 229 vagas em maio. As maiores reduções ocorreram no cultivo de melão (-291), obras de infraestrutura (-104) e construção de edifícios (-63). A indústria apresentou um desempenho modesto, com saldo positivo de apenas 38 vagas.

Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), considera o cenário preocupante: “Como a gente já vinha com um saldo negativo do mês passado, houve um certo crescimento, mas inexpressivo no sentido de algum crescimento econômico. É um dado bem preocupante, porque mês a mês o estado vem mostrando uma incapacidade de crescimento econômico de geração de empregos”.

No acumulado de janeiro a maio de 2026, o Rio Grande do Norte registra um saldo de apenas 215 empregos formais. Comércio e Serviços foram responsáveis pela criação de 5.390 vagas no período, com destaque para saúde (909), educação (831), comércio atacadista (362), comércio de veículos e peças (290) e farmácias (133). A construção civil também contribuiu positivamente com 1.560 postos de trabalho.

Por outro lado, a agropecuária acumula uma perda de 5.580 vagas no ano, influenciada pelo cultivo de melão (3.787 desligamentos líquidos). A indústria também apresenta um saldo negativo de 1.149 empregos, fatores que limitaram o desempenho do mercado de trabalho potiguar nos primeiros cinco meses de 2026.

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