ALERTA ENERGIA CARA

CMSE pode reduzir preço da energia em 30%

CMSE pode reduzir preço da energia em 30%

Modelo atual superestima riscos, onerando indústria e consumidor nesta sábado, 09/05/2026. Revisão do parâmetro CVaR pode equilibrar custos bilionários.

Mesmo com reservatórios em níveis confortáveis e oferta abundante de fontes renováveis, o Brasil enfrenta um cenário de energia surpreendentemente cara. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) detém a competência para reverter esta situação, que é consequência de um modelo matemático que superestima o risco de escassez hídrica, elevando artificialmente os preços no mercado. Nesta sábado, 09/05/2026, esta distorção impacta diretamente a competitividade da indústria, desestimula investimentos e pressiona os custos para o consumidor final, exigindo uma recalibração urgente para resgatar a previsibilidade econômica.

A questão central não reside na disponibilidade de energia, mas sim na forma como o preço é definido por um modelo teórico. O mecanismo atual incorpora um nível de aversão ao risco de escassez hídrica que se mostra excessivamente elevado, gerando um custo desnecessário para o país.

Um dos principais fatores por trás desse comportamento é o parâmetro de aversão ao risco, o CVaR (Conditional Value at Risk), que orienta as decisões dos modelos computacionais. Na configuração vigente, o modelo atribui peso exacerbado aos cenários mais críticos de hidrologia. Na prática, isso leva a um despacho mais conservador de usinas e à definição de preços mais altos, mesmo quando não há risco concreto de desabastecimento iminente. O efeito é similar ao de um sistema que opera permanentemente em modo de contingência, pagando um custo elevado por um risco que, muitas vezes, não se materializa.

Além da aversão ao risco, mudanças recentes nas premissas de cálculo vêm gerando inconsistências que elevam o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e ampliam seu descolamento da realidade operacional. Reduções no despacho térmico, que deveriam baixar o custo, paradoxalmente, têm provocado aumento de preços em determinadas semanas. Soma-se a isso a inclusão no modelo de uma usina hídrica de pequeno porte (menos de 50 MW) prevista apenas para 2030, que deveria ter impacto marginal, mas vem elevando os preços de forma relevante no período atual. Esses casos ilustram limitações significativas na projeção futura e na incorporação de premissas, resultando em um ambiente menos previsível e mais volátil.

No Mercado Livre de Energia, que atende 95% do consumo industrial brasileiro, o efeito é direto e devastador: redução da liquidez, menor oferta de contratos de longo prazo e aumento no custo de energia. Esse cenário compromete o principal objetivo do Mercado Livre: permitir que as empresas gerenciem seus custos de energia com previsibilidade e competitividade. Quando o sinal de preço perde aderência à realidade, ele deixa de cumprir seu papel econômico, afetando a dignidade financeira de inúmeras companhias e, por extensão, a de seus colaboradores.

Apesar da complexidade do tema, há medidas concretas que podem ser adotadas no curto prazo. O modelo de precificação prevê revisões periódicas desses parâmetros, e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) possui competência para realizá-las. Uma alternativa é a adoção do parâmetro CVaR (15,30), em substituição ao (15,40) vigente. Simulações indicam que a recalibração do nível de aversão ao risco pode reduzir os preços de energia em mais de 30%, sem comprometer a segurança do sistema – um impacto relevante em um mercado que movimenta bilhões de reais por ano.

Esse ajuste de parâmetro define quanto peso o modelo atribui aos cenários mais extremos de escassez hídrica. Hoje, esse peso é mais elevado do que deveria, o que torna o modelo mais conservador e encarece a energia. A proposta do (15,30) reduz esse nível de conservadorismo, mantendo a segurança do sistema, mas com um custo muito menor. Análises mostram que esse modelo preserva os níveis dos reservatórios mesmo em cenários críticos e adversos. Nos últimos anos, praticamente todas as alterações feitas no modelo de precificação caminharam no sentido de aumentar a aversão ao risco do sistema. A intenção é legítima, mas o problema é o custo. Proteções empilhadas começam a custar mais do que o próprio risco que pretendem mitigar, como pagar um seguro mais caro do que o bem protegido.

A formação de preços de energia não é apenas um tema técnico. Ela influencia diretamente a competitividade da economia brasileira. Energia mais cara reduz margens de lucro, desestimula investimentos e pressiona preços ao consumidor final, gerando inflação e impactando a vida de milhões de famílias. O Brasil reúne condições únicas: uma matriz majoritariamente renovável, crescente diversificação de fontes e um Mercado Livre em expansão. Transformar essa vantagem natural em um custo elevado por desalinhamento regulatório é um risco evitável.

O debate sobre o modelo de preços precisa avançar com base em dados e evidências. O desafio não é reduzir segurança, mas calibrar o equilíbrio entre risco e custo. Desde sua criação, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) tem por objetivo otimizar a operação do sistema com o menor custo possível. A legislação recente também reforça a busca por modicidade tarifária e segurança energética. É necessário resgatar esse equilíbrio. O sistema já dispõe de mecanismos para isso, e a decisão está ao alcance da governança setorial. O momento de agir é agora, para que a energia barata de sobra se converta em desenvolvimento e bem-estar para o país.

* Clarissa Sadock é CEO da Comerc Energia.

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