NÃO VOU DEFENDER
Ciro Nogueira evita defender Flávio Bolsonaro em investigação do caso Master
Senador Ciro Nogueira afirmou que pré-candidato à Presidência deve ser investigado e que a lei deve valer para todos, sem privilégios. Ele citou a prisão de Lula como exemplo de reviravolta política.
Em meio às investigações que envolvem o caso Master e o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, em entrevista à TV Clube, que não irá defender o pré-candidato à Presidência da República. A decisão de se manter neutro, segundo ele, parte do princípio de que todos devem ser submetidos à investigação e ao escrutínio da lei, garantindo a isenção e a igualdade perante a justiça.
"Eu não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente", afirmou Nogueira. Ele enfatizou que o país não pode mais tolerar ilícitos, independentemente de quem os cometa, e que a investigação deve ser conduzida com imparcialidade.
O senador expressou a expectativa de que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP) conduzam as apurações com celeridade. "Ninguém está acima de ser investigado. Tem que haver uma investigação séria e isenta", ressaltou. Nogueira também levantou a questão do que chamou de "vazamento seletivo" de informações, que, em sua visão, estaria focando em nomes da oposição.
Reafirmando compromissos anteriores, Ciro Nogueira declarou que renunciará ao mandato caso haja comprovação de ilícitos em seu nome. "Se for comprovada alguma coisa ilícita que possa manchar a minha honra, eu jamais vou voltar para o meu estado com alguma mácula no meu mandato", garantiu.
Ao comentar sobre um possível impacto na candidatura de Flávio Bolsonaro, o senador citou a trajetória política do atual presidente Lula (PT). "Nós já tivemos no país um presidente da República que ficou preso 500 dias e hoje é o presidente da República. Então, espero que se esclareçam essas situações", disse, antes de complementar: "Eu não estou aqui para pré-julgar nem para absolver ninguém. Acho que temos que confiar no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e, principalmente, da Justiça, para fazer um julgamento isento."
A investigação em torno do caso Master ganhou destaque no dia 7 de maio, com a deflagração de uma nova fase da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal. A operação apura suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Ciro Nogueira esteve entre os alvos de mandados de busca e apreensão em endereços em Brasília e no Piauí. Seu irmão, Raimundo Nogueira, também foi alvo e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Na época, Ciro Nogueira afirmou estar colaborando com as investigações e questionou a motivação de operações em ano eleitoral.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, foi associado ao caso após revelações de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria ajudado a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, com um investimento de R$ 61 milhões. Vorcaro, proprietário do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras que pode atingir R$ 12 bilhões. Informações divulgadas pelo portal Intercept Brasil detalharam mensagens trocadas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, além de um áudio enviado pelo senador ao banqueiro. Um encontro presencial entre eles também ocorreu após a primeira prisão do banqueiro no final de 2025.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro descreveu a relação como um patrocínio privado e afirmou não ter conhecimento da gravidade do caso envolvendo o banqueiro ao buscá-lo como investidor. "Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco", declarou.
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