VERIFICAÇÃO DE FATOS
Cientistas desmentem relação entre HAARP e terremoto na Venezuela
Especialistas da USP explicam que projeto de pesquisa atmosférica não tem capacidade de gerar abalos sísmicos. Fenômenos luminosos são explicados pela ciência.
Especialistas e órgãos geológicos esclareceram nesta segunda-feira, 11/07/2026, a origem real dos abalos que atingiram o país, refutando teorias conspiratórias que circulam em redes sociais. A disseminação de conteúdos falsos atribuiu indevidamente ao Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência (HAARP) a responsabilidade pelos terremotos que assolaram a região norte da Venezuela em 24 de junho de 2026.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) confirmou, em nota técnica divulgada no dia 24 de junho de 2026, que o desastre natural foi resultado da interação entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. O movimento constante das placas resulta em tensões geológicas que, ao serem liberadas, geram sismos de grande magnitude, como os de 7,2 e 7,5 ocorridos na região de Yumare.
O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), explicou que a tecnologia do HAARP possui uma finalidade estritamente científica voltada para a análise da ionosfera. Segundo o pesquisador, a capacidade de gerar terremotos é tecnicamente inexistente, já que o projeto opera mediante ondas eletromagnéticas que não possuem força física para interferir na crosta terrestre.
Sobre as imagens de céus avermelhados que viralizaram, o especialista esclarece que o fenômeno, conhecido como espalhamento de Rayleigh, decorre da presença de poeira na atmosfera. A destruição causada pelo sismo levantou partículas que dispersam a luz solar de forma distinta, criando o efeito visual registrado pelos moradores. Quanto aos lampejos luminosos, Cecchini aponta que podem estar associados à eletrização momentânea do ar provocada pelo atrito extremo das placas tectônicas, um evento raro, porém natural.
A propagação de desinformação em momentos de tragédia gera angústia adicional à população afetada, que enfrenta a reconstrução de suas cidades após os sismos mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. O número de vítimas fatais já ultrapassa 4 mil, conforme dados atualizados nesta sexta-feira, 10/07/2026.
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