DESCOBERTA REVOLUCIONÁRIA

Cientistas descobrem como cérebro pode descansar sem dormir

Ilustração de um cérebro feminino com destaque para áreas de atividade neural.
Ilustração que mostra um cérebro feminino, destacando a complexidade e as funções cerebrais. (Imagem: Metrópoles)

Estudo em camundongos sugere que áreas específicas do cérebro podem se recuperar mesmo durante a vigília, abrindo novas perspectivas para a neurociência e tratamentos futuros.

Uma nova pesquisa publicada nesta segunda-feira (8/6) na revista científica Nature Neuroscience por pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, aponta que algumas funções restauradoras do sono podem ocorrer em regiões específicas do cérebro, mesmo quando o organismo permanece acordado. A descoberta, realizada em experimentos com camundongos, abre caminhos para entender melhor a recuperação cerebral. Os cientistas conseguiram reproduzir artificialmente um padrão de atividade cerebral característico do sono profundo em áreas específicas do córtex cerebral dos animais, que haviam sido mantidos acordados. Essa estimulação induziu padrões de atividade semelhantes aos observados durante o descanso, sem que os animais adormecessem. Ao analisar o cérebro dos camundongos após a experiência, os pesquisadores observaram que as áreas estimuladas apresentaram menor necessidade de recuperação durante o sono subsequente. Na prática, essas regiões pareceram ter obtido parte do benefício normalmente proporcionado pelo descanso, indicando que a recuperação cerebral pode depender mais de padrões de atividade neuronal do que do estado geral de sono ou vigília. O estudo também avaliou o impacto dessa técnica na consolidação da memória. Camundongos submetidos a uma tarefa de aprendizado e, em seguida, à estimulação cerebral artificial, apresentaram desempenho semelhante aos animais que dormiram normalmente, enquanto aqueles privados de sono tiveram um desempenho inferior. Essa constatação reforça a ideia de que efeitos restauradores do sono podem ocorrer localmente em circuitos cerebrais específicos. Os autores ressaltam que a pesquisa, realizada com uma técnica invasiva em camundongos, ainda está em estágio inicial. O próximo passo será investigar a possibilidade de tecnologias menos invasivas reproduzirem efeitos semelhantes em humanos. A conclusão atual é que, embora nada substitua uma boa noite de sono, o entendimento dos mecanismos de recuperação cerebral pode levar a novas abordagens no tratamento de distúrbios relacionados ao descanso e à memória.

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