ALERTAS DE TEMPO

Chuvas continuam no litoral potiguar até agosto, mas El Niño prevê altas temperaturas no RN

Gilmar Bristot, meteorologista da Emparn, em entrevista.
Gilmar Bristot, chefe da unidade de Meteorologia da Emparn, antecipa previsões de chuva e temperatura para o RN.

Meteorologista Gilmar Bristot, da Emparn, explica que período chuvoso no litoral e Agreste se estende até julho/agosto. Fenômeno El Niño deve elevar temperaturas no segundo semestre.

As chuvas que atingem o litoral e o Agreste do Rio Grande do Norte estão previstas para continuar até meados de julho e início de agosto. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 23/06/2026, por Gilmar Bristot, chefe da unidade de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). Ele também alertou que, no segundo semestre, o fenômeno El Niño deve provocar um aumento nas temperaturas e na sensação térmica em diversas regiões do Estado, impactando diretamente o bem-estar da população.

Em entrevista à rádio Mix FM Natal, Bristot expressou surpresa com o volume de chuvas registrado em 2026. Indicadores oceânicos apontavam um cenário menos favorável, mas o Estado foi agraciado com precipitações que, em algumas áreas, superaram a média esperada. "Nós tivemos uma grata surpresa este ano. Não estava tão favorável para chuvas, nem o Atlântico Sul, e nós tivemos chuvas de normal acima do normal em algumas regiões", declarou o meteorologista.

Gilmar Bristot, meteorologista da Emparn, em entrevista.
Gilmar Bristot, chefe da unidade de Meteorologia da Emparn, antecipa previsões de chuva e temperatura para o RN.

Bristot detalhou que o período chuvoso já se encerrou no semiárido potiguar, nas regiões Oeste e Central. Nessas áreas, o principal sistema atuante entre fevereiro e maio é a Zona de Convergência Intertropical. "No interior do Estado, as chuvas já estão começando a diminuir. Ainda tem algumas pancadas de chuva acontecendo no interior, mas a tendência é diminuir", explicou.

Os maiores volumes de chuva foram observados no Alto Oeste, Vale do Açu, região de Mossoró e Chapada do Apodi. No Seridó Oriental, que inclui municípios como Currais Novos e Parelhas, as precipitações ficaram ligeiramente abaixo da média histórica, mas nas demais áreas do Seridó, os índices foram considerados normais. Essa condição favoreceu a recuperação dos reservatórios locais, tanto no Seridó quanto no Oeste.

Enquanto o interior registra a diminuição das chuvas, a faixa leste do Estado, incluindo o litoral e o Agreste, continua sob influência das condições do Oceano Atlântico Sul, mantendo o período chuvoso ativo. "Pelo menos até meados de julho e início de agosto", afirmou Bristot, indicando a continuidade das precipitações.

Junho é historicamente o mês mais chuvoso em Natal. O meteorologista ressaltou que o desempenho das chuvas superou as expectativas iniciais, que previam índices abaixo do normal. A atuação positiva das ondas de convergência sobre o Nordeste foi um fator crucial para esse resultado.

El Niño deve aumentar calor no RN

Apesar das boas notícias sobre as chuvas, a formação de um novo episódio de El Niño gera preocupação por seus impactos esperados nos próximos meses. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas tropicais equatoriais no Oceano Pacífico, deve atingir seu pico entre setembro e novembro, com aumento de temperatura estimado entre 2,5 e 3 graus.

O El Niño tende a favorecer chuvas acima da média na Região Sul do Brasil e dificultar a formação de sistemas produtores de chuva no Nordeste. Essa mudança na circulação atmosférica pode bloquear sistemas no Nordeste e facilitar a chegada de frentes frias no Sul. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina já acompanham este cenário com atenção.

No Rio Grande do Norte, os efeitos mais notáveis do El Niño deverão ser a diminuição da intensidade dos ventos e um aumento significativo da temperatura e da sensação térmica, especialmente no setor leste do Estado. Gilmar Bristot relembrou que episódios anteriores, como em setembro de 2024, registraram temperaturas extremas, com Caicó chegando a 40 graus.

A previsão estende a preocupação para 2027, com modelos indicando que o El Niño pode permanecer ativo até os primeiros meses do ano. Isso prejudicaria as chuvas do inverno de 2027 no Nordeste, caso o fenômeno não enfraqueça a tempo. Se o El Niño persistir durante o período chuvoso, a região pode enfrentar condições de escassez hídrica.

Durante a entrevista, Bristot destacou os investimentos recentes na modernização do sistema de monitoramento climático do Estado. Foram instaladas 125 estações meteorológicas automáticas com monitoramento remoto e implementados sistemas de previsão para todos os municípios potiguares. A população pode acessar previsões detalhadas por município através do portal da Emparn.

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