TENSAO MILITAR
China posiciona mais de 100 navios ao redor de Taiwan, afirma conselho de segurança nacional
Autoridade taiwanesa denuncia "cerco" naval chinês que se estende do Mar Amarelo ao Pacífico Ocidental. Decisão eleva preocupações sobre estabilidade regional e impacto nas relações EUA-China.
Mais de 100 embarcações militares e de guarda costeira da China foram posicionadas em águas regionais, configurando um cerco naval em torno de Taiwan. A decisão, confirmada neste sábado, 23/05/2026, pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, abrange desde o Mar Amarelo até o Pacífico Ocidental. O movimento eleva as tensões na região e levanta questionamentos sobre a paz e a estabilidade, com impacto direto nas relações entre Pequim e os Estados Unidos.
Em uma publicação que acompanha uma imagem ilustrativa, Wu denunciou que a China é o "único PROBLEMA que destrói o #StatusQuo e ameaça a paz e a estabilidade regionais". A manobra naval, que começou antes da reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Pequim, aumentou após o término da cúpula. Uma autoridade de segurança, que pediu anonimato, informou à agência AFP que a frota chinesa inclui embarcações de pesquisa, sem detalhar suas atividades específicas, embora a Marinha e a guarda costeira chinesas já tenham realizado treinamentos semelhantes na área.
A China tem intensificado a pressão militar sobre Taiwan, considerada por Pequim como território a ser reunificado, inclusive pela força, se necessário. Deslocamentos de caças e navios de guerra próximos à ilha tornaram-se rotineiros, acompanhados por exercícios militares de grande escala. Essa escalada ocorre em um contexto delicado para a segurança taiwanesa, especialmente após declarações do presidente Donald Trump que sugeriram a possibilidade de usar as vendas de armas americanas à ilha como moeda de troca com a China.
Taiwan, que depende do apoio americano para sua defesa, viu a apreensão aumentar após o chefe interino da Marinha dos EUA afirmar a congressistas que o governo americano havia congelado a venda de US$ 14 bilhões em armamentos. A justificativa seria a necessidade de garantir munição suficiente para a guerra no Irã. Essa decisão segue um aviso de Xi Jinping a Trump, onde o líder chinês classificou a "questão de Taiwan" como o ponto mais sensível nas relações bilaterais, alertando para o risco de "confrontos e até conflitos" caso não seja tratada adequadamente.
Apesar das incertezas, o governo de Taiwan tem reiterado o compromisso dos Estados Unidos com sua defesa e a continuidade das vendas de armas. Paralelamente, milhares de taiwaneses foram às ruas neste sábado para apoiar um plano governamental de aumento dos gastos com defesa. A proposta inicial do presidente Lai Ching-te, de quase US$ 40 bilhões em armamentos críticos, incluindo equipamentos americanos, foi ajustada pelo parlamento, de maioria oposicionista, para US$ 25 bilhões.
As tensões em torno de Taiwan também afetam a relação entre China e Japão. Em novembro do ano passado, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi declarou que um ataque chinês a Taiwan poderia representar uma ameaça à sobrevivência do Japão, justificando uma possível intervenção militar. Essa declaração gerou irritação na China, que aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens ao arquipélago.
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