IMPACTO CHINÊS
China impõe tarifa e derruba projeção de exportação de carne bovina do Brasil
Abiec prevê queda de 10% nas vendas em 2026 após cota de 1,1 milhão de toneladas com 55% de imposto. Produção para o país asiático deve parar em junho.
O mercado global de carne bovina enfrenta uma reviravolta significativa após a China, um dos maiores importadores, implementar este ano uma rigorosa política de cotas tarifárias que ameaça o setor exportador brasileiro. Em uma declaração nesta terça-feira, 05/05/2026, Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), alertou que essa medida pode provocar uma queda de até 10% nas exportações de carne bovina do Brasil em 2026 em comparação com o ano anterior. A decisão chinesa, motivada pela proteção de sua produção interna, implica na iminente interrupção da produção brasileira destinada a Pequim por volta de junho e exige um reposicionamento estratégico, incluindo o aumento do consumo interno.Em conversa com jornalistas, Perosa detalhou que a produção de carne bovina destinada ao mercado chinês deve ser interrompida por volta de junho, um efeito direto da nova tarifa. Ele enfatizou a necessidade de impulsionar o consumo interno para absorver o volume que antes seria exportado para o país asiático, um desafio para a indústria e para a economia doméstica.A política chinesa estabelece uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina com isenção da tarifa de 55%. Essa medida, implementada para resguardar a produção interna chinesa, levou a uma corrida por parte das exportadoras brasileiras, que aceleraram os embarques para evitar a incidência da taxa mais alta. Esse volume, que engloba também remessas de finais de 2025 que chegaram à China no início de 2026, está próximo de ser totalmente preenchido.Os dados da Abiec revelam a dimensão da dependência do mercado chinês: em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, sendo que impressionantes 1,7 milhão de toneladas foram direcionadas à China.Perosa foi enfático ao afirmar que "não há mercado que substitua a China", sublinhando a gravidade da situação e a falta de alternativas imediatas de igual porte.No começo do ano, a Abiec havia projetado um cenário mais promissor, com expectativa de estabilidade nas exportações. Essa visão se baseava na potencial abertura de novos mercados e na capacidade de redirecionar vendas. Contudo, Perosa confirmou que a esperada abertura do mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira não deve se concretizar em 2026, frustrando parte das projeções.Ainda assim, o presidente da Abiec expressa esperança quanto à possível abertura do mercado japonês, o que poderia mitigar o impacto da redução de embarques para a China. Em relação à Turquia, outro potencial mercado que poderia alavancar as exportações, Perosa esclareceu que o progresso depende de um 'convencimento técnico'. Enquanto as autoridades turcas demandam testes em toda a carne brasileira – uma exigência inviável para o Brasil –, o país negocia para que as análises sejam realizadas por lotes, buscando uma solução que concilie as exigências sanitárias com a viabilidade comercial.
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