EXPORTAÇÃO EM RISCO

China eleva taxa de carne brasileira; setor prevê forte impacto

Cortes de carne bovina em exposição para venda
Carne bovina — Foto: Foto de David Foodphototasty na Unsplash

Governo chinês impõe tarifa de 55% após Brasil atingir metade da cota de 1,1 milhão de toneladas. Previsão é de queda de 10% nas exportações em 2026.

O governo chinês, em decisão anunciada no último dia de 2025 e em vigor desde 1º de janeiro de 2026, impôs um limite à importação de carne bovina com tarifa reduzida. Nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, a notícia é que o Brasil já atingiu metade dessa cota anual, o que significa que, em breve, as exportações brasileiras enfrentarão uma taxação drástica de 55% sobre o volume excedente de 1,1 milhão de toneladas. A medida, justificada pela proteção da pecuária local, ameaça causar uma queda de 10% nas exportações brasileiras em 2026, com sérios impactos para a indústria nacional, que agora busca alternativas para a produção que antes tinha a China como destino prioritário.

A China lidera as compras de carne bovina do Brasil, que é o maior fornecedor do produto aos chineses, além de ser o maior exportador mundial. A cota de 1,1 milhão de toneladas, que permite tarifa reduzida de 12%, está próxima de ser esgotada porque as empresas brasileiras aceleraram os embarques para evitar a taxação maior.

Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), expressou no último dia 5 de maio de 2026 grande preocupação com a situação. Ele afirmou que a decisão da China deve provocar uma queda de 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026, na comparação com 2025.

Perosa também indicou que a produção destinada ao mercado chinês deve ser interrompida por volta de junho, em razão da tarifa elevada. Para compensar o volume que deixará de ser exportado ao país asiático, será necessário aumentar o consumo interno.

Em 2025, o Brasil exportou um total de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, das quais 1,7 milhão de toneladas tiveram a China como destino, segundo dados da Abiec.

“Não há mercado que substitua a China”, lamentou Perosa, destacando a dependência brasileira do gigante asiático.

No início do ano, a Abiec trabalhava com um cenário mais otimista, prevendo relativa estabilidade nas exportações. Essa expectativa se baseava na possível abertura de novos mercados e no redirecionamento das vendas para outros destinos.

Contudo, segundo Perosa, a expectativa em relação à abertura do mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira não deve se concretizar em 2026, adicionando mais um desafio significativo ao setor. Ele disse, no entanto, manter expectativa quanto à possível abertura do mercado japonês, que ainda poderia ajudar a reduzir o impacto da queda nos embarques para a China, oferecendo um vislumbre de esperança em meio à incerteza.

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