RENÚNCIA EM ALTA ESCALADA

Chefe de gabinete de Milei renuncia em meio a investigação por enriquecimento ilícito

Manuel Adorni em foto oficial.
Manuel Adorni, chefe de gabinete do Presidente Javier Milei, anunciou renúncia.

Manuel Adorni, um dos principais aliados de Javier Milei, deixa o cargo de chefe de gabinete após investigações sobre seu patrimônio. Decisão ocorre em momento de crise de popularidade do governo argentino.

Manuel Adorni, chefe de gabinete do Presidente Javier Milei, comunicou neste sábado, 27 de junho de 2026, sua renúncia ao cargo. A decisão, comunicada em carta aberta divulgada na rede social X, ocorre em meio a investigações sobre a evolução de seu patrimônio pessoal e despesas. Adorni alegou que a decisão foi tomada apesar da vontade do Presidente Javier Milei, afirmando em sua mensagem: “Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, vou contra a sua vontade”, e que encerra este ciclo “com a consciência tranquila” e em paz.

Considerado um dos mais próximos colaboradores de Javier Milei, Manuel Adorni iniciou sua trajetória no governo como porta-voz em dezembro de 2023. Em novembro do ano passado, assumiu a chefia de gabinete, uma das posições de maior relevância na administração argentina. Sua saída abala a estrutura do governo em um momento crítico.

Nos últimos meses, o então ministro tornou-se alvo de apurações por suspeita de enriquecimento ilícito. Questionamentos surgiram a partir de viagens realizadas com sua família, como férias em Aruba durante o Natal, com passagens de primeira classe, e um deslocamento em jato particular para o Uruguai durante o Carnaval. Adorni contesta veementemente qualquer irregularidade, afirmando que seu patrimônio foi consolidado antes de assumir a função pública e que todas as despesas foram cobertas com recursos próprios.

Apesar de sua defesa, Manuel Adorni admitiu, em entrevista ao jornal La Nación neste mês, ter mantido valores não declarados às autoridades fiscais por anos. Ele informou que as declarações de bens referentes a 2023 e 2024 foram retificadas para incluir aproximadamente US$ 500 mil que não haviam sido declarados anteriormente. “Faço um mea culpa por ter arrastado um erro involuntário e vou pagar tudo o que for devido”, declarou.

Antes da renúncia, o Presidente Javier Milei havia defendido publicamente seu auxiliar, afirmando em entrevista ao La Nación em maio que “de jeito nenhum Adorni sairia” do governo e que não pretendia “condenar um inocente”. Essa postura presidencial contrasta com a decisão final de Adorni.

A demissão de Manuel Adorni ocorre em um período de considerável desgaste para o governo argentino. A administração de Javier Milei enfrenta denúncias de suposta corrupção envolvendo outros integrantes e uma notável queda na popularidade do presidente. Uma pesquisa da Opina Argentina, divulgada em maio, indicou que apenas 39% dos eleitores mantêm uma imagem positiva de Javier Milei, uma redução significativa em comparação com os 53% registrados pouco mais de um ano atrás.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário