TERRAS RARAS NO BRASIL
CGEE lança livro com estratégias para exploração de Terras Raras no Brasil
Publicação assinada por especialistas apresenta cenários e um roteiro para o país alcançar competitividade global em 2040. O trabalho foi divulgado em seminário no Rio de Janeiro e pode influenciar debate sobre Política Nacional de Minerais Críticos.
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou oficialmente o livro Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040. A publicação, que propõe alternativas para a exploração desses minerais no país, foi apresentada no VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), ocorrido no Rio de Janeiro na última quarta-feira, 1º de maio de 2024.
Assinada por dez engenheiros, pesquisadores e professores universitários, a obra detalha cadeias industriais para a produção de elementos químicos metálicos conhecidos como “terras raras”, essenciais para produtos de alta tecnologia. O material também mapeia reservas minerais nacionais, como as da Amazônia, e estuda mercados, projetando a exploração com cooperação internacional e capital multilateral.
Os 17 elementos químicos classificados como terras raras são matéria-prima fundamental para a fabricação de bens de consumo e equipamentos estratégicos de alta demanda global, incluindo carros elétricos, dispositivos de defesa, smartphones e turbinas eólicas. Atualmente, o Brasil é importador desses componentes.
Conforme Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, o livro “é um documento sobre estratégias para transformar o que a gente tem de terras raras no nosso solo em uma competitividade global.” Ele descreve caminhos para que o Brasil, até 2040, ocupe a posição estratégica que deveria ter conquistado anos antes. O Brasil possui cerca de um quarto das reservas mundiais de terras raras, segundo estimativas, o que lhe confere autonomia para definir o desenvolvimento de sua cadeia produtiva.
“Nós temos as terras raras. Não precisamos de ninguém para dizer o que é que nós vamos fazer”, pontuou Gomes, que defende a adoção de uma política industrial robusta, financiamento de empreendimentos e investimento em formação técnica para que o país ganhe escala na produção e agregação de valor. Ele pondera que, embora haja dependência externa em alguns aspectos, o mercado global também depende de recursos brasileiros.
Para suprir a demanda por mão de obra qualificada e aumentar o número de pesquisadores no setor, a Universidade Federal de Pernambuco, em parceria com outras instituições, está desenvolvendo um curso de pós-graduação em rede. A iniciativa visa preparar profissionais para atuar na cadeia produtiva das terras raras.
O CGEE espera que as propostas do livro sejam incorporadas nas discussões no Senado Federal sobre o Projeto de Lei 2780/2024. O PL, já aprovado na Câmara dos Deputados, institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). A proposta aguarda apreciação em comissão desde maio.
Os minerais críticos e estratégicos, como as terras raras, são prioridade da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034. O documento, formulado com participação social, estabelece o objetivo de desenvolver tecnologias para exploração, beneficiamento e reciclagem desses minerais, a fim de reduzir vulnerabilidades em cadeias essenciais e promover a sustentabilidade.
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