MISTÉRIO NO CÉU
Cenipa e PCMG investigam queda de avião que matou três em BH
Aeronave não tinha autorização para táxi aéreo; sobreviventes se recuperam em hospital.
Belo Horizonte sentiu o impacto de uma tragédia aérea na tarde desta segunda-feira, 4 de maio de 2026, quando um avião de pequeno porte caiu no bairro Silveira, na Região Nordeste. O acidente, que resultou na morte de três pessoas e deixou outras duas feridas, mobilizou intensas operações de resgate e lançou uma série de questionamentos sobre as causas, agora sob investigação rigorosa da Força Aérea Brasileira e da Polícia Civil de Minas Gerais.
Impacto e Heroísmo no Chão
Logo após a queda, relatos de testemunhas ajudam a dimensionar o impacto da tragédia. O estudante Rafael Campos, de 15 anos, presenciou o momento e destacou a atitude que ele classificou como heroica do piloto. "Foi muito comovente. A atitude do piloto foi muito admirável. Ele desviou da escola que está aqui perto. Se ele caísse lá, ia causar muito mais mortes. Ele deu a vida dele para evitar uma tragédia maior", disse o adolescente, em depoimento que emocionou a todos.
Moradora do prédio atingido, Alva Maria Miranda Lana, de 67 anos, relatou momentos de pânico e incerteza. "Fiquei sabendo através do grupo do prédio. Uma vizinha estava gritando, pedindo socorro, com o apartamento cheio de fumaça. Fiquei apavorada, sem saber o que estava acontecendo", relembrou, descrevendo a fumaça e os gritos que tomaram conta do edifício.
A Trajetória Fatal
O avião de pequeno porte caiu por volta das 12h30, apenas três minutos após a decolagem do Aeroporto da Pampulha. A aeronave percorreu cerca de cinco quilômetros antes de atingir um prédio de três andares na rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira. O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) confirmou que o impacto ocorreu na área da escadaria, uma circunstância que, paradoxalmente, impediu que mais moradores fossem diretamente atingidos dentro de seus apartamentos. Contudo, a fachada do edifício sofreu danos significativos, levando a Defesa Civil a avaliar a estrutura do imóvel.
Vítimas e Sobreviventes: Rostos da Tragédia
Cinco pessoas estavam a bordo da aeronave. Morreram no local o piloto Wellinton de Oliveira Pereira, de 34 anos, e o médico veterinário Fernando Moreira Souto, de 36 anos, este último filho do prefeito de Jequitinhonha, Nilo Souto (PDT). A Prefeitura de Jequitinhonha, em um gesto de luto e solidariedade, declarou luto oficial de três dias e divulgou uma nota comovente: "Neste momento tão difícil, a Administração Municipal se une em solidariedade ao prefeito, à sua esposa, a familiares e amigos, desejando que Deus traga conforto e força para enfrentar essa perda irreparável".
O empresário Leonardo Berganholi, de 50 anos, foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro João XVIII, na capital mineira, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu à noite, aproximadamente sete horas após o acidente.
Entre os sobreviventes, Arthur Berganholi, de 25 anos, filho de Leonardo, recebeu atendimento no mesmo hospital e permanece sob cuidados médicos. Arthur foi visto por uma moradora, sentado nas escadarias do prédio, atordoado e visivelmente ferido, nos momentos que se seguiram à queda. Outro sobrevivente é Hemerson Almeida Souza, de 53 anos, que foi internado com múltiplas fraturas e, felizmente, apresenta um quadro de saúde estável.
O Destino: Reunião de Negócios e Dúvidas sobre a Aeronave
Informações preliminares apontam que os ocupantes haviam saído de Teófilo Otoni, no Nordeste do estado, e tinham como destino São Paulo, capital, onde participariam de uma reunião de negócios. Entretanto, um ponto crucial levantado pela investigação é o registro da aeronave. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o avião, matrícula PT-EYT, modelo P32R, estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) em dia, com validade até 1º de abril de 2027. Contudo, a aeronave não possuía autorização para operar como táxi aéreo, sendo registrada apenas para voos privados.
Primeiros Sinais: A Emergência no Ar
A administração do Aeroporto da Pampulha confirmou que a aeronave decolou às 12h16. Pouco depois, a NAV Brasil, responsável pelo controle de tráfego aéreo, informou que o piloto declarou emergência ("mayday") logo após a decolagem, relatando dificuldade para ganhar altitude. O avião tinha como destino o Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, e os problemas técnicos na subida inicial foram decisivos para a sequência dos eventos. A NAV Brasil destacou que os trabalhos de investigação incluem a coleta de dados, a análise detalhada da aeronave e das comunicações do voo, sem um prazo exato para a conclusão.
Mobilização e Apoio: Autoridades no Local
Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, Polícia Militar e Polícia Civil atuaram incansavelmente no local do acidente. Autoridades municipais, incluindo o prefeito Álvaro Damião (União) e representantes da Prefeitura de Belo Horizonte, acompanharam de perto os trabalhos de resgate e isolamento da área. O chefe do Executivo mineiro, Álvaro Damião, rechaçou a possibilidade de fechamento do aeroporto, enfatizando que o episódio deve servir como alerta. "A investigação vai apontar se foi problema na aeronave, erro humano ou questão técnica. O que fica é a lição de uma tragédia. Esse tipo de acidente não é comum em Belo Horizonte", afirmou. O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), também expressou sua solidariedade às famílias das vítimas e feridos nas redes sociais, agradecendo a agilidade dos bombeiros.
As Perguntas que Permanecem
Apesar de todas as informações já confirmadas, as causas exatas do acidente permanecem desconhecidas. A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), está à frente da apuração, com funcionários chegando ao local no fim da tarde para iniciar os trabalhos. Paralelamente, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) também investiga as circunstâncias da queda. Entre os pontos cruciais que serão elucidados, destacam-se possíveis falhas mecânicas, as condições operacionais da aeronave e a influência de fatores humanos. A análise das comunicações com a Torre de Controle e uma investigação minuciosa dos motores serão peças decisivas para desvendar os problemas que culminaram nesta trágica queda.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário