ARTE, HUMOR E EMPATIA

“Cenas da Menopausa” chega a Natal para desmistificar a vida da mulher 50+ com Claudia Raia

Claudia Raia e Jarbas Homem de Melo no espetáculo Cenas da Menopausa
Claudia Raia em 'Cenas da Menopausa', que chega a Natal nos dias 02 e 03 de maio de 2026.

Espetáculo com Jarbas Homem de Melo debate tema da mulher 50+ com sensibilidade e risadas no Teatro Riachuelo, dias 02 e 03 de maio de 2026.

O aclamado espetáculo “Cenas da Menopausa”, que já cativou públicos em Portugal e por todo o Brasil, desembarca em Natal nesta sexta-feira, 01/05/2026, com sessões agendadas para os dias 02 e 03 de maio de 2026, às 20h, no Teatro Riachuelo. A produção do evento, em resposta ao sucesso estrondoso e à relevância do tema, decidiu estender sua turnê, trazendo à capital potiguar uma comédia musical que, estrelada por Claudia Raia e Jarbas Homem de Melo, humaniza e desmistifica a experiência da mulher 50+. A iniciativa oferece à sociedade um espaço vital para debater a Menopausa com humor, acolhimento e informação, impactando diretamente a dignidade e a compreensão sobre essa fase natural da vida feminina.

No palco, o carisma envolvente de Claudia Raia e a sintonia com Jarbas Homem de Melo conduzem uma narrativa divertida e esclarecedora. Através de cenas curtas e paródias musicais, a peça explora temas como as transformações corporais, desafios de carreira, saúde, beleza e relacionamentos na Menopausa, de uma maneira franca, espirituosa e reflexiva.

O Diário do RN conversou com a atriz sobre as bem-sucedidas temporadas e a importância deste espetáculo que encanta e diverte a plateia. “Cenas da Menopausa” oferece intervenções musicais cômicas, sem deixar de lado o acolhimento essencial às mulheres que atravessam essa fase da vida. A estrutura da peça segue as que a autora Anna Toledo define como “fases do luto ovariano” — choque, negação, revolta, depressão, barganha e aceitação. Cada cena apresenta uma mulher diferente vivenciando um momento crucial da Menopausa, e uma personagem central, Teresa, costura toda a dramaturgia ao percorrer essas diversas etapas.

Acompanhamos a história de Teresa (Claudia Raia), uma mulher de 49 anos, casada há 18, mãe de dois filhos e sobrecarregada em sua profissão de corretora de imóveis. Em meio às demandas cotidianas, ela se depara com o inesperado: os primeiros sintomas da Menopausa. Ondas de calor, insônia, alterações de humor e uma enxurrada de dúvidas transformam sua rotina em uma jornada surreal e repleta de reviravoltas cômicas.

Entrevista – Cláudia Raia, Atriz e Bailarina

Diário do RN – Como você tem conseguido transformar a “Menopausa” em espetáculo no teatro? Como foi a pesquisa até chegar às cenas?

Cláudia Raia – Tudo começou de um jeito muito visceral, porque eu estava vivendo isso na pele. A Menopausa chegou com tudo na minha vida e eu percebi que existia um silêncio gigantesco em torno do assunto. Comecei a falar disso nas minhas redes há oito anos e pensava: “Como assim milhões de mulheres passam por isso e ninguém fala?”. A peça traz muito da minha história e também da Anna Toledo, que estava vivendo exatamente essa mesma fase. A partir daí mergulhamos numa pesquisa intensa. Conversamos com médicos, especialistas, amigas, ouvimos relatos absurdos, engraçados, doloridos e libertadores. E o mais incrível é que as cenas nasceram exatamente desse lugar real da mulher que ri, chora, surta, sente calor, esquece as coisas e depois se reencontra ainda mais potente. Acho que o público se conecta justamente porque existe muita verdade ali.

Diário do RN – A peça trata de um assunto muito comum na vida das mulheres. E os homens? Como eles têm reagido?

Cláudia Raia – Os homens saem do teatro em choque [risos]. Muitos chegam acorrentados pelas mulheres, achando que Menopausa é só “calorzinho” e saem entendendo que é uma revolução hormonal, emocional e física. É muito bonito porque eles começam a enxergar as mulheres da vida deles com outro olhar. Tem marido que pede desculpa para a esposa depois da peça, filho que entende a mãe pela primeira vez. E o mais legal é que eles riem muito também. A peça virou quase uma aula sobre empatia, tem prestação de serviço e também um olhar empático que pode virar acolhimento.

Diário do RN – O espetáculo tem música também? Como elas foram escolhidas para dialogar com o tema Menopausa?

Cláudia Raia – A música entra como emoção, deboche, memória, liberdade e potência feminina. As escolhas foram muito intuitivas, pensando em canções que conversassem com transformação, desejo, identidade e renascimento. A música ajuda a contar essa montanha-russa hormonal de um jeito muito divertido e emocionante.

Diário do RN – O bom humor sempre te acompanha nos palcos. Isso ajuda a lidar com o tema com o público?

Cláudia Raia – Totalmente. O humor desarma as pessoas. Quando você ri, baixa a guarda e consegue falar de assuntos difíceis sem medo. A Menopausa ainda é cercada de vergonha, silêncio e preconceito, então rir disso é quase revolucionário. A plateia se reconhece o tempo inteiro. É aquela gargalhada de “meu Deus, sou eu”. E eu acho lindo quando o humor vira identificação e a gente consegue rir da gente mesma, das loucuras, dos sintomas, das mudanças, mas sempre com acolhimento e verdade.

Diário do RN – Na vida pessoal, a Menopausa ainda te traz muitas dúvidas ou você está bem informada com os sinais no corpo?

Cláudia Raia – Hoje eu conheço muito mais o meu corpo e consigo entender melhor os sinais, mas foi uma jornada. No começo eu achei que estava enlouquecendo, não me reconhecia, minha energia estava baixa [risos]. Eu não entendia aquela mudança tão brusca de humor, energia, sono, memória. O Jarbas e os meus filhos que chamaram a minha atenção. Foi preciso buscar informação, tratamento e acolhimento. E acho importante falar disso porque muitas mulheres ainda passam por esse processo completamente sozinhas. A informação muda tudo. Estudei muito sobre o tema, troquei de médico inúmeras vezes e finalmente ajustei minha reposição hormonal com a ajuda da Dra. Isabela Bussade.

Diário do RN – O que você espera do público de Natal, com as duas apresentações?

Cláudia Raia – Essa peça cria uma conexão muito forte com o público porque ela fala da vida real. Quero que as mulheres se sintam vistas, acolhidas e poderosas. E quero os homens lá também, porque eles saem do teatro melhores do que entraram [risos]. Tenho certeza de que Natal vai viver noites muito especiais com a gente. Cenas da Menopausa é divertida, mas também é uma experiência transformadora. Não à toa já tivemos mais de 200 mil espectadores com teatros lotados no Brasil e em Portugal. No final da peça temos um papo com o público, abrimos o microfone para discutir sobre Menopausa, e queremos muito ouvir o público de Natal.

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