TAP ON PHONE DOMINA

Celular se transforma em maquininha e impulsiona transações comerciais no Brasil

Pessoa utilizando celular para realizar um pagamento por aproximação
Celular se transforma em maquininha e impulsiona transações comerciais no Brasil

Tecnologia que permite pagamentos por aproximação via smartphone movimentou R$ 27,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 114,6% em um ano. Especialistas preveem expansão contínua, superando mercados internacionais.

O celular, agora um terminal de pagamentos multifuncional, está substituindo as tradicionais maquininhas em um número crescente de estabelecimentos e serviços. A tecnologia 'tap on phone', que habilita smartphones e tablets a processarem pagamentos por aproximação, registrou R$ 27,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um salto expressivo de 114,6% comparado ao mesmo período do ano anterior. Essa ascensão evidencia a profunda e veloz transformação no mercado brasileiro de meios de pagamento, impulsionada pela digitalização dos negócios e pela familiaridade crescente com transações por aproximação.

Um levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) aponta que, em apenas dois anos, o volume financeiro processado por essa modalidade de pagamento cresceu impressionantes 1.188,8%. Do total registrado entre janeiro e março de 2026, R$ 25,4 bilhões foram alocados em compras no crédito, um aumento de 115,6%; R$ 1,2 bilhão em operações de débito, com crescimento de 105,4%; e R$ 500 milhões em cartões pré-pagos, representando um avanço de 92,6%.

Celular se transforma em maquininha e impulsiona transações comerciais no Brasil

Embora ainda represente uma fração do mercado de cartões, estimado em R$ 5 trilhões em 2026, a modalidade 'tap on phone' mantém um ritmo acelerado de expansão. A Abecs projeta que esta tecnologia movimentará cerca de R$ 100 bilhões até o final de 2026.

Ricardo Vieira, vice-presidente da Abecs, ressalta que o crescimento ainda está longe de seu pico. Ele avalia que a tecnologia continuará a expandir sua participação nos próximos anos, acompanhando o desenvolvimento do próprio mercado de cartões.

A implementação do 'tap on phone' no Brasil iniciou-se em 2021, com aparelhos Android operando como terminais. Em 2023, a Apple também incorporou o recurso em seus dispositivos. No entanto, a adoção ganhou tração significativa nos últimos dois a três anos, impulsionada pela digitalização pós-pandemia de Covid-19, pela consolidação do Pix e pela disseminação dos pagamentos por aproximação.

O ritmo de crescimento é notável quando comparado a outras inovações financeiras. Os cartões com tecnologia NFC, por exemplo, chegaram ao Brasil em 2008, mas levaram cerca de uma década para alcançar ampla aceitação.

Contrariando expectativas iniciais, a nova tecnologia não diminuiu o uso das maquininhas tradicionais. Ao invés disso, ampliou o acesso de profissionais e pequenos negócios à aceitação de pagamentos eletrônicos. Médicos, dentistas, fisioterapeutas, professores particulares, personal trainers, taxistas e feirantes agora utilizam seus próprios celulares para receber pagamentos, eliminando a necessidade de equipamentos adicionais.

Marcos Marins, diretor de aceitação da Visa no Brasil, explica que a solução foi concebida para oferecer uma alternativa de baixo custo a pequenos comerciantes. Por depender de software em vez de hardware, o sistema reduz barreiras de entrada para a aceitação de cartões.

Na prática, o perfil de uso no Brasil difere de outros mercados. Enquanto em diversos países a tecnologia é mais utilizada em pequenas compras de varejo, no Brasil ela também atende profissionais liberais que realizam cobranças de maior valor.

Essa característica explica o tíquete médio das transações. Segundo a Visa, cada operação por 'tap on phone' no Brasil atinge, em média, US$ 78, um valor consideravelmente superior aos cerca de US$ 28 observados em mercados como Argentina, Peru e Colômbia. Essa diferença se deve, em grande parte, ao pagamento de consultas médicas, mensalidades e serviços especializados.

O Brasil se consolidou como o principal mercado global para a modalidade, superando economias como Estados Unidos e Reino Unido. Atualmente, o país conta com aproximadamente 3,5 milhões de terminais ativos de 'tap on phone'.

Marins atribui a rápida adoção ao histórico brasileiro de incorporação de novas tecnologias financeiras. A expansão dos pagamentos instantâneos e por aproximação criou um terreno fértil para a disseminação dessa nova solução.

Os pagamentos por aproximação, via NFC, também seguem em ascensão, com 75% das compras presenciais com cartões utilizando essa tecnologia atualmente, um salto em relação aos 19% registrados em 2022, segundo dados da Abecs.

Esse avanço abre portas para fintechs expandirem sua atuação. A RecargaPay, por exemplo, que oferece a solução, registra crescimento mensal entre 25% e 30% nas transações via 'tap on phone'. Gilmar Hansen, vice-presidente da empresa, vê a tecnologia como uma nova fase da transformação digital iniciada com o Pix.

Atualmente, 17 empresas estão autorizadas pela Visa a oferecer a solução de recebimento por celular no Brasil, um mercado que continua a atrair novos participantes e a impulsionar a digitalização dos meios de pagamento.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário