OBRAS PÚBLICAS PARAM?

CBIC Alerta Para Risco De Paralisar Obras No País

CBIC Alerta Para Risco De Paralisar Obras No País

Aumento de até 35% em insumos como asfalto e PVC ameaça a execução de projetos essenciais, exigindo repactuação imediata de contratos.

Em um alerta contundente emitido nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), anunciou o risco iminente de paralisação generalizada de obras públicas em todo o Brasil. A grave ameaça surge do aumento vertiginoso nos preços de insumos essenciais, como asfalto e derivados de petróleo, impactando diretamente a continuidade de projetos vitais para o desenvolvimento e a qualidade de vida da população.

Para evitar o colapso, as construtoras já solicitaram formalmente à União, governos estaduais e prefeituras uma repactuação imediata dos contratos. Este é o único caminho para afastar a iminente paralisação.

O cenário de instabilidade é reforçado por uma série de aumentos que têm pressionado significativamente o setor de construção:

  • Reajuste de 22,45% do asfalto nas refinarias da Petrobras de março para abril.
  • Alta de 12% em março e de 10% em abril nos preços do concreto e do cimento, que têm bastante influência do valor do frete, impactado pelo diesel.
  • Incremento de 15% a 35% nos tubos e conexões de PVC, que usam polietileno como matéria-prima.

Diante da gravidade da situação, a CBIC, em conjunto com outras entidades representativas do setor – a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), o Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada) e a Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias e de Infraestrutura de Transportes) –, já formalizou um pedido de reajuste extraordinário dos contratos federais. Os documentos foram encaminhados aos Ministérios dos Transportes, Fazenda, Planejamento e Casa Civil.

A reivindicação central é que esses contratos, atualmente com reajustes anuais, passem a ter atualizações mensais enquanto persistirem as variações acentuadas nos preços dos insumos, agravadas pelo cenário de guerra no Oriente Médio.

Lima Jorge é categórico ao afirmar que "não há perspectiva no curto prazo" de estabilização dos preços internacionais do petróleo, o que impede a estabilidade dos valores das matérias-primas no mercado interno.

Sem a necessária repactuação, "há realmente risco de paralisação de obras", reiterou o dirigente da CBIC em entrevista ao Conexão Infra. Ele ressaltou que a ameaça não se restringe a rodovias, mas se estende a edificações e projetos de operações urbanas. "Não é que esperávamos 4% [de reajuste] e veio 5% de aumento. Estamos falando de 20% ou de 35%. Se não houver reconhecimento da administração pública, é porque não querem fazer a obra", alertou, sublinhando a magnitude dos aumentos.

Segundo Lima Jorge, em serviços cruciais como manutenção e conservação de rodovias, o asfalto pode representar até 70% do custo total, tornando qualquer variação de preço insustentável sem reajuste.

Este problema é mais agudo nas obras públicas. Nas concessões, explicou Lima Jorge, a situação é diferente, pois "as matrizes de risco amadureceram", com gatilhos e reequilíbrios econômicos mais previsíveis. "Os contratos de concessão acolhem, de certa forma, esse tipo de aumento, definindo as responsabilidades de cada um, governo e setor privado", concluiu.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário