IMPACTO GLOBAL

CBIC alerta: conflitos e juros altos afetam construção

Canteiro de obras com máquinas e trabalhadores, simbolizando o setor da construção civil.
Setor da construção civil enfrenta desafios econômicos, mas mantém forte geração de empregos.

Aumento de insumos, com petróleo e frete impulsionando preços, reduz expectativas. O setor, contudo, gera mais de 3 milhões de empregos.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revelou nesta quinta-feira, 07/05/2026, uma significativa redução nas projeções de crescimento para o setor neste ano. A entidade aponta o aumento nos custos de insumos, a instabilidade global gerada pelo conflito no Oriente Médio e as elevadas taxas de juros como os principais desafios que freiam o avanço da construção civil, um pilar essencial para a economia e a geração de empregos no Brasil.

No primeiro trimestre de 2026, o índice do preço médio dos insumos da construção atingiu 68,4 pontos, o patamar mais alto desde o segundo trimestre de 2022. Essa elevação dos materiais ganhou força em meio à volatilidade dos preços dos combustíveis e derivados de petróleo, exacerbada pela guerra no Oriente Médio. “O custo do frete é um dos itens que pode ajudar a justificar o aumento, mas não é apenas o frete do material até o canteiro, e sim, toda a cadeia de produção e transporte das matérias-primas”, explica Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC. Ela acrescenta que insumos com derivados de petróleo, como tubos, conexões e tintas, são particularmente sensíveis à elevação do preço do barril.

O fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o escoamento global de petróleo, tem provocado ondas de impacto em diversos setores da economia, com reflexos diretos nos índices oficiais. O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-M), por exemplo, registrou 1,4% em abril de 2026, marcando a maior elevação desde junho de 2022.

Diante do cenário de custos crescentes, a produção de insumos típicos da construção e o comércio varejista de materiais apresentaram retração no primeiro bimestre de 2026. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume de vendas recuou 5,5% e a produção de insumos caiu 6,9%. “Os juros em patamar elevado e a escassez de mão de obra, além de seu custo, são alguns dos fatores que podem ajudar a explicar esse dado, causado especialmente pelo adiamento de pequenas obras e reformas”, afirma Renato Correia, presidente da CBIC. Essa paralisação de projetos menores afeta diretamente a renda de autônomos e pequenos empreendedores.

Um dos componentes que mais pressiona os preços é o custo da mão de obra, que registrou uma alta de 8,82% nos 12 meses encerrados em março de 2026, ficando bem acima da inflação oficial do período, que foi de 4,14%. Essa disparidade acende um alerta sobre o poder de compra dos trabalhadores e a sustentabilidade dos projetos.

Apesar dos desafios, o setor da construção civil demonstra resiliência na geração de empregos formais. Nos primeiros três meses de 2026, o saldo de novas vagas cresceu quase 19% em comparação com igual período de 2025. Destaque para a construção de edifícios (23%) e obras de infraestrutura (42,41%). O setor foi responsável por um em cada cinco empregos formais criados no país entre janeiro e março de 2026, totalizando mais de 3 milhões de trabalhadores, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Em março de 2026, a construção alcançou o maior salário médio de admissão entre todos os segmentos laborais, pagando R$ 2.551,69 e superando, inclusive, a administração pública. O número de novos empregos no primeiro trimestre de 2026 foi o maior para o período desde o início da nova série do Caded, em 2020, indicando um vigor notável no mercado de trabalho. A Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) estima que o investimento possa alcançar R$ 300 bilhões de reais. São Paulo continua na liderança de geração de empregos na construção (34.609), seguido por Minas Gerais (10.481) e Santa Catarina (9.620). Entre as cidades, São Paulo capital (15.642), Rio de Janeiro (4.121) e Curitiba (3.025) destacam-se.

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