FORÇA-TAREFA DESMASCARA TRÁFICO

Casal é preso em Anápolis (GO) por ostentar luxo com dinheiro do tráfico do Comboio do Cão

Um casal exibindo carros de luxo e objetos de ostentação, associado a atividades criminosas.
Casal ostentava BMWs, jet skis e viagens com dinheiro do Comboio do Cão.

Investigações revelaram que dupla usava recursos ilícitos para financiar BMWs, jet skis e viagens de luxo. Operação Fornitori mira braço financeiro da facção Comboio do Cão.

Um casal de Anápolis (GO) foi preso temporariamente nesta quinta-feira, 18/06/2026, como um dos alvos da Operação Fornitori. A decisão foi tomada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em conjunto com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para desarticular a estrutura financeira da facção criminosa Comboio do Cão. A importância desta ação reside em expor e neutralizar a forma como o dinheiro do tráfico era ostentado e lavado, impactando diretamente a dignidade daqueles afetados pela criminalidade.

Segundo as investigações, a dupla ostentava uma vida de luxo com carros de alta cilindrada, como BMWs, jet skis, viagens internacionais e hospedagens em hotéis de alto padrão, tudo sustentado por recursos obtidos com o tráfico de drogas. O homem utilizava a conta bancária da companheira para movimentar os valores ilícitos, elevando o padrão de vida do casal à medida que o dinheiro sujo aumentava. Essa ostentação era frequentemente exibida em um perfil aberto no Instagram, onde vídeos mostravam o patrimônio acumulado.

A Operação Fornitori, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) e a 4ª Promotoria de Entorpecentes do MPDFT, visa atingir os braços financeiro e logístico do Comboio do Cão. Diferentemente de fases anteriores, focadas em lideranças e executores, esta etapa concentra esforços nos responsáveis pelo abastecimento interestadual de drogas e na lavagem e ocultação de recursos.

As apurações, iniciadas em 2023, revelaram uma estrutura hierarquizada. Um líder histórico do tráfico no Distrito Federal, foragido desde 2008 e preso em 2025 no Pará, ainda exercia influência sobre o esquema. O abastecimento de drogas era feito por um núcleo em regiões de fronteira, com operadores no DF e Entorno responsáveis pelo armazenamento e distribuição.

Um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro utilizava empresas de fachada, imóveis e veículos de luxo registrados em nome de terceiros. Contas bancárias de familiares e interpostos pulverizavam os valores. A incompatibilidade entre a renda declarada e a ostentação de bens de alto padrão reforçou os indícios. A organização já foi associada a apreensões de seis toneladas de maconha em 2023 e outras duas toneladas em Mato Grosso do Sul.

Cerca de 120 policiais cumprem 15 mandados de prisão temporária e 20 de busca e apreensão no DF, Mato Grosso do Sul e Goiás. Medidas patrimoniais foram determinadas para retirar bens ilícitos da organização. A Justiça autorizou o sequestro de imóveis e veículos em DF, GO, MS e São Paulo, além do bloqueio de contas bancárias. Os sigilos fiscal e financeiro de envolvidos também foram quebrados.

As diligências ocorreram em Taguatinga, Ceilândia e Recanto das Emas (DF); Novo Gama, Caldas Novas, Anápolis e Abadiânia (GO); e Campo Grande e Bela Vista (MS). A operação contou com apoio de forças policiais estaduais. Os investigados podem responder por tráfico interestadual, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais, com penas somadas que podem ultrapassar 40 anos.

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