DECISÃO FISCAL
Carf mantém multa contra Ciro Nogueira por propina investigada na Lava Jato
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ratifica cobrança após análise de recurso do senador. Defesa alega inconsistência nas provas e intenção de novas apelações.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiu, em 10 de dezembro de 2023, manter a multa e a cobrança de imposto contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), em decisão cujo acórdão foi publicado em 4 de maio de 2024. A resolução se refere a valores supostamente recebidos como propina, sob investigação da operação Lava Jato, em um esquema que envolveria a Petrobras e o grupo J&F. A ratificação da cobrança fiscal, que impacta a dignidade do ex-ministro e sua relação com a gestão pública, ocorre após o parlamentar ter recorrido da decisão inicial da Receita Federal. Todos os conselheiros presentes acompanharam o voto da relatora, Lílian Cláudia de Souza, indicando um consenso técnico na instância administrativa.
Apesar de ratificar a cobrança, o Carf promoveu uma redução no cálculo da multa. O valor final atualizado, contudo, não foi detalhado no acórdão. Em 2018, estimativas iniciais apontavam para um montante de R$ 6.270.953,81, englobando multa proporcional, imposto devido e juros. A decisão administrativa, vinculada ao Ministério da Fazenda, analisou um recurso da defesa de Ciro Nogueira que questionava a autuação fiscal. O relatório original da Receita Federal havia concluído que o senador teria recebido R$ 5 milhões da J&F e R$ 1,4 milhão da UTC Engenharia, empresas com negócios ligados à Petrobras.
A defesa do senador argumentou a "nulidade da autuação" e a "falta de lastro probatório mínimo" das alegações fiscais, sustentando que o relatório se baseou predominantemente em delações premiadas da operação Lava Jato. Citou também a rejeição de denúncias contra Ciro Nogueira na esfera criminal pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como fundamentação para o pedido administrativo. A relatora, no entanto, ponderou sobre a "independência entre as esferas penal e administrativa", afirmando que a manutenção do crédito tributário se fundamentou em todo o conjunto probatório dos autos, e não apenas nas delações.
Em nota oficial após a decisão do Carf, a assessoria de Ciro Nogueira reafirmou os argumentos da defesa e a intenção de recorrer. "O teor das denúncias já foi alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal, que arquivou todas as acusações. O senador está certo de que a lisura de seus atos será comprovada e ressalta que decisões em contrário serão objeto de recurso tanto no Carf quanto, eventualmente, na Justiça", declarou. Em 2023, o STF já havia rejeitado uma denúncia contra o senador que o acusava de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas à Odebrecht.
Recentemente, Ciro Nogueira tornou-se alvo de investigações na Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraude envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal (PF) aponta que o senador teria utilizado seu mandato para favorecer interesses de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, em troca de vantagens indevidas. A defesa do parlamentar criticou a operação, realizada no início de maio, e reiterou que o senador "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados".
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