SABORES QUE UNEM
Canjica, pamonha e pé-de-moleque: pratos típicos celebram a tradição das festas juninas
Chef do Senac Santo Ângelo destaca a importância cultural e afetiva de receitas tradicionais como canjica e pamonha, que atravessam gerações e reúnem famílias em todo o país.
A gastronomia é um dos pilares centrais das festas juninas, reunindo celebrações em todo o Brasil com receitas que atravessam gerações. Pratos típicos, feitos com milho, amendoim, coco e leite, reforçam a forte ligação entre a cultura popular e os sabores que marcam a época, despertando memórias afetivas e preservando tradições.
Para ressaltar a importância dessas iguarias, Reinaldo Farah, chef e docente da área de Gastronomia do Senac Santo Ângelo, selecionou alguns dos preparos juninos mais tradicionais. Ele explicou suas origens, curiosidades e o porquê de sua permanência nas mesas brasileiras. Segundo Farah, o sucesso dessas receitas reside tanto na simplicidade dos ingredientes quanto no profundo valor cultural que carregam.
'Escolhi esses pratos por entender que são clássicos carregados de história e cultura. São receitas consumidas em todo o Brasil, com ingredientes acessíveis, muito sabor e que remetem a uma gastronomia afetiva, cheia de memórias. Isso faz com que continuem sendo alguns dos preparos mais queridos e tradicionais das festas juninas em todo o país', afirma Farah.
Entre os destaques está a canjica cremosa com amendoim, receita com origens nas influências indígenas e africanas. O milho, base do prato, era usado por povos originários antes da colonização, e ingredientes como leite de coco e açúcar foram incorporados posteriormente por africanos escravizados. Tradicional nas regiões Sudeste e Sul, a iguaria também é consumida no Nordeste, onde é conhecida como mungunzá.
Outro clássico é a pamonha doce, cuja origem remonta aos povos indígenas brasileiros, que já produziam massas de milho envoltas em folhas. Popular no Centro-Oeste, em Goiás, Minas Gerais e no interior paulista, a receita mantém características próximas às versões preparadas há séculos. O nome deriva do termo tupi 'pa’muña', que significa algo pegajoso.
O arroz-doce também ocupa lugar de destaque nos festejos. Embora associado às festas juninas brasileiras, a receita chegou ao país por influência portuguesa. Sua origem é ainda mais antiga, com registros no Oriente Médio e na Ásia. Tradicional em quermesses e celebrações familiares, o doce ganhou adaptações ao longo do tempo, mas preserva a combinação clássica de arroz, leite e canela.
O milho, ingrediente representativo das festas juninas, é também a base do curau. De origem indígena, o prato permanece popular principalmente no Sudeste, com forte presença no interior de São Paulo e em Minas Gerais. Em outras regiões, receitas semelhantes recebem diferentes nomes e podem apresentar variações.
Entre os doces feitos com amendoim, o pé-de-moleque segue como uma das opções mais tradicionais. Surgido durante o período colonial, o preparo combina técnicas portuguesas de caramelização com ingredientes brasileiros. Além da versão mais conhecida, algumas regiões mantêm receitas próprias, como o pé-de-moleque pernambucano, elaborado com massa de mandioca e castanha.
O bolo de milho representa a forte ligação entre as festas juninas e a tradição rural brasileira. Com raízes na influência indígena e na utilização do milho como alimento básico, a receita se consolidou em diferentes regiões do interior do país. Historicamente, muitos desses bolos eram preparados em fornos à lenha durante celebrações comunitárias, costume que ainda permanece.
A presença dessas receitas nas festas juninas evidencia a diversidade cultural brasileira e a influência de diferentes povos na formação da culinária nacional. Mais do que alimentos típicos, pratos como canjica, pamonha, arroz-doce, curau, pé-de-moleque e bolo de milho ajudam a preservar tradições, histórias e lembranças que continuam sendo transmitidas entre gerações a cada novo ciclo de celebrações juninas.
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