DETECÇÃO SALVA VIDAS

Câncer de boca: especialistas pedem diagnóstico precoce

Ilustração de boca saudável ao lado de ferramentas de detecção de câncer bucal, simbolizando a campanha Maio Vermelho de prevenção.
Prevenção e detecção precoce são cruciais no combate ao câncer de boca, conforme a campanha Maio Vermelho.

Maio Vermelho intensifica alerta contra doença que afeta 17 mil brasileiros anualmente. Lesões que persistem por 15 dias são sinal.

O Brasil enfrenta um desafio alarmante na saúde pública com o câncer de boca, uma doença que se espera registrar mais de 17 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diante desse cenário preocupante, a campanha Maio Vermelho intensifica neste mês as ações de conscientização, prevenção e diagnóstico precoce, buscando reverter o alto índice de identificação tardia que afeta mais de 60% dos casos, comprometendo as chances de cura e a qualidade de vida dos pacientes.

Apesar das altas chances de identificação precoce, o diagnóstico do câncer de boca ainda é feito em fase avançada para mais de 60% dos pacientes, um dado que preocupa especialistas. Essa demora crucial na detecção não apenas reduz as possibilidades de cura, mas também agrava as sequelas físicas e emocionais decorrentes do tratamento, impactando profundamente a vida cotidiana do indivíduo e de sua família.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de boca estão diretamente ligados ao estilo de vida. O tabagismo e o consumo frequente de bebidas alcoólicas são grandes vilões. Dados do livro "Diagnóstico Precoce do Câncer de Boca", publicado pelo INCA/Ministério da Saúde, revelam que a probabilidade de adoecer entre fumantes é quase cinco vezes maior em comparação com não fumantes.

Além disso, a exposição prolongada ao sol sem a devida proteção pode causar câncer nos lábios. A infecção pelo vírus HPV (papilomavírus humano) também tem sido associada a alguns casos, principalmente em pacientes mais jovens e que não fumam. Especialistas ressaltam a importância vital de hábitos saudáveis e de visitas regulares ao dentista como pilares fundamentais para a prevenção e detecção de anomalias.

O Ministério da Saúde aponta que a doença se manifesta com maior frequência em homens acima dos 40 anos e que são tabagistas. A língua figura como uma das regiões mais atingidas, e o carcinoma de células escamosas (CEC) representa o tipo histológico mais comum.

A Doutora Letícia França (CRM 4913/MT | RQE Nº: 2461), oncologista clínica da Oncomed-MT, detalha os sinais de alerta que exigem atenção imediata. "Lesões que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, sangramento, nódulos no pescoço e rouquidão persistente estão entre os principais sinais e sintomas que precisam ser investigados", explica a médica. Ela acrescenta que, em fases mais avançadas, os pacientes frequentemente sofrem com dor intensa, dificuldade para mastigar, engolir e falar, além de limitações na movimentação da língua.

Dra. Letícia França (CRM 4913/MT | RQE Nº: 2461) Oncologista clínica da Oncomed — Foto: Assessoria

Assim como ocorre em diversos outros tipos de câncer, especialistas concordam que a conscientização pública e o diagnóstico precoce são os maiores aliados no combate à doença. Essas medidas aumentam significativamente as chances de cura e conseguem minimizar as sequelas, permitindo uma recuperação mais completa e com menos impacto na qualidade de vida do paciente.

A cirurgia, com ou sem reconstrução, configura-se como o tratamento mais recomendado. Em alguns casos, torna-se essencial a remoção dos gânglios do pescoço, seja de um ou de ambos os lados, para prevenir a disseminação da doença. Para pacientes com um quadro mais avançado, a abordagem multiprofissional aumenta substancialmente a probabilidade de cura e auxilia na redução dos impactos dos tratamentos cirúrgico, radioterápico e quimioterápico.

No que tange ao tratamento quimioterápico, a Doutora França esclarece que a imunoterapia no câncer de boca pode impulsionar as taxas de ressecção cirúrgica e melhorar a sobrevida dos pacientes com tumores mais avançados.

O Doutor Pedro Turra (CRM 9579/MT | RQE Nº: 7648), cirurgião de cabeça e pescoço da Oncomed-MT, enfatiza que a extensão do câncer geralmente determina a intensidade do tratamento. "Quanto mais precoce a detecção, melhor a chance de cura, porque quanto maior o tumor, maior a intensidade do tratamento. Em um estágio mais avançado, o tratamento é mais invasivo, exigindo a combinação de radioterapia e quimioterapia", resume ele, reforçando a urgência do diagnóstico em fases iniciais.

Pedro Turra (CRM 9579/MT | RQE Nº: 7648) Cirurgião de cabeça e pescoço da Oncomed — Foto: Assessoria

Diante deste panorama, a atuação dos dentistas assume uma relevância ainda maior no processo de identificação precoce da doença. Frequentemente, esses profissionais são os primeiros a notar alterações suspeitas durante as consultas de rotina. "O papel do dentista é fundamental, porque ele é o primeiro profissional que costuma avaliar essas queixas, principalmente nos pacientes com lesões que persistem por mais de duas semanas", complementa Doutor Turra.

Diretor técnico responsável: Marcelo Benedito Mansur Bumlai CRM-MT 2663

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