NOVA ARTISTA POP
Cami Santiz lança álbum de estreia 'SALINA' inspirado nas paisagens potiguares
Álbum 'SALINA' de Cami Santiz, lançado nesta quinta-feira, 28, às 21h, transforma a identidade territorial nordestina em linguagem musical, unindo referências culturais e paisagens do Rio Grande do Norte.
A artista pop Cami Santiz lança nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, às 21h, seu álbum de estreia, intitulado “SALINA”. Produzido pelo selo Alá Comunicação, o trabalho autoral mergulha na identidade territorial nordestina, nos romances litorâneos e no sotaque nortista, traduzindo essas influências em uma linguagem musical inovadora. A inspiração central do projeto surgiu da reflexão sobre o sal, elemento emblemático do Rio Grande do Norte, conhecido como a Terra do Sal e do Sol, mas historicamente com pouca visibilidade. Cami Santiz encontrou nas salinas potiguares uma poderosa metáfora para sua própria trajetória artística, explorando como um elemento essencial para a vida e a cultura muitas vezes permanece discreto.
O título “SALINA” evoca não apenas o tempero que realça sabores, mas também a significativa produção de sal no Rio Grande do Norte, estado que figura como a segunda maior região salineira do mundo. O álbum traça um paralelo entre a produção artística brasileira e a salineira, destacando que ambas têm, em grande medida, suas origens no Nordeste, mesmo quando essas raízes não são plenamente reconhecidas. Essa conexão ressalta a importância cultural e econômica da região para o Brasil.

A palavra “salina” ganha contornos adjetivos que definem a essência de ser parte do Rio Grande do Norte. A capital potiguar, Mossoró, é banhada pelas águas salgadas do Atlântico, e o interior do Estado é marcado por paisagens de morros de sal. A própria formação do sal, que ocorre no encontro das águas doce dos rios e salgada do mar, inspira a identidade visual do projeto e reflete a construção identitária de Cami Santiz, que nasceu na região Norte e foi criada no Nordeste. Essa convergência de origens, misturas e encontros molda sua trajetória artística.
Musicalmente, “SALINA” expande a pesquisa sonora iniciada em singles anteriores, incorporando a bregadeira como uma extensão natural de sua formação musical, influenciada por nomes como Banda Grafith e a cultura de paredão. A figura da sereia, símbolo recorrente em seus trabalhos, ressurge, associada a uma sensualidade explorada na interpretação vocal, com nuances e timbres que conferem intimidade e envolvimento às canções. A artista compõe narrativas inspiradas no cotidiano litorâneo, desde a pele bronzeada pelo sol e a brisa do mar até fenômenos socioespaciais nas orlas. As letras celebram os romances com a intensidade do sal que emana do litoral nordestino, em uma sonoridade tropical que convida à dança e à contemplação.

O álbum transita por gêneros como a bregadeira e o lo-fi, o chill-wave e a arrochadeira, com influências de trip-hop, sintetizadores e guitarras atmosféricas. Um interlúdio marca a transição de uma atmosfera solar para um território mais soturno e contemplativo, como a passagem do pôr do sol para a noite. As canções seguintes assumem tons densos, introspectivos e cinematográficos, refletindo estados emocionais ligados à paisagem costeira. “SALINA” propõe uma fusão experimental entre ritmos tradicionais nordestinos e latinos com expressões urbanas contemporâneas, simbolizando a transição da luz do sol na praia para o brilho dos neons da cidade.
A capa do disco, solar e vibrante, visualmente traduz faixas como “Frenesi” e “Canto da Sereia”, além de evocar a malemolência de “Sigilo” e “Latina BB”. As imagens do projeto reforçam a ligação entre corpo e espaço, a riqueza sensorial e a profundidade dos sabores. “SALINA” é, portanto, um trabalho tropical, sexy e profundamente enraizado na cultura e no território nordestino.
Mais do que um conjunto de músicas, “SALINA” representa a afirmação da identidade artística de Cami Santiz, unindo suas influências, seu percurso pessoal e sua visão sobre a cultura pop produzida no Nordeste. Segundo a artista, o disco é fruto do amadurecimento de experiências vividas intensamente em cima do palco, seu principal campo de aprendizado. O álbum é resultado de um processo colaborativo com amigos e parceiros de composição, solidificando sua voz no cenário musical.
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